O Grande Prêmio da Malásia foi mais um passeio com vento no rosto do alemão Sebastian Vettel (abaixo à esquerda), confirmando a extraordinária fase da Red Bull, que, de novo, não teve opositores. Mas quem ficou para trás fez da movimentada corrida algo interessante, tendo como justificativa o desgaste acentuado dos pneus Pirelli. No final da prova, a quantidade de farofa de borracha na pista era bem maior que nos tempos da Brigestone. Outro componente, a asa traseira móvel, contribuiu para manter a audiência televisiva madrugal e de certo modo apurou o molho sem carne do touro vermelho, que sequer tomou conhecimento do segundo colocado Jenson Button ou de Nick Heidfeld, o terceiro.

A quarta posição ficou com Mark Webber, também da Red Bull, cuja largada e desempenho nas primeiras voltas foram ruins, fazendo parecer que o australiano não estava pilotando carro igual ao de seu companheiro de equipe. A má imagem foi se desfazendo com o desenrolar da corrida com Webber recuperando posições, mas nem com todo esforço conseguiu ultrapassar Heidfeld no fim da corrida. Aliás, Heidfeld, esse sim, fez uma boa largada, saindo da sexta para a segunda posição, e Petrov, que saltou da oitava para a quinta posição na primeira volta.

Quem também largou bem foi Felipe Massa, que encarou Fernando Alonso e levou a melhor. Não fosse mais uma trapalhada da Ferrari na primeira troca de pneus, o brasileiro poderia, que sabe, brigar por uma posição no pódio, pois sua corrida foi consistente e bem administrada. Apesar do erro dos mecânicos, Massa chegou na quinta posição com o asturiano colado na caixa de câmbio.

Se alguém reclamar que faltou pimenta no molho malaio mentiu ou está com o paladar comprometido. Lewis Hamilton e Fernando Alonso travaram um duelo de campeões entre as voltas 43 e 46, quando lutavam pela 3ª colocação. O espanhol de sangre caliente, todavia, cometeu uma barbeiragem típica de piloto estreante com vontade de mostrar serviço ao patrão e carimbou a roda traseira do britânico da McLaren, perdendo parte do aerofólio dianteiro. Após o final da corrida, por decisão dos comissários de corrida, ambos foram punidos com acréscimo de 20s aos seus tempos. O piloto da McLaren, por mudar de trajetória mais de uma vez na pista, e Alonso, por atitude antidesportiva. Resultado: Alonso perdeu a sexta colocação, herdada por Kamui Kobayashi, da Sauber, e Hamilton o sétimo posto.

Aliás, o japonês Kamui Kobayashi foi um dos destaques da corrida ao enfrentar o heptacampeão Michael Schumacher, da Mercedes, com bravura. A disputa teuto-nipônica durou praticamente as 56 voltas do GP da Malásia. O alemão da Mercedes, por sua vez, terminou a prova em nono com um carro que pode progredir ao longo da temporada, mas, por enquanto, tem desempenho apenas mediano, ficando à frente de Nico Rosberg, que fez uma corrida apagada.

Rubens Barrichello (foto à direita) teve um fim de semana para ser esquecido. Sua Williams apresentou fraco desempenho desde os primeiros treinos. A revolucionária caixa de câmbio, que tem, se comparando, o tamanho de uma caixa de sapato não conversava direito com o motor e este, por sua vez, discutia a relação com o KERS. A asa traseira, geniosa, só abria o defletor na reta quando lhe dava na telha, não atendendo o comando do piloto. Na terceira volta corrida, Rubinho teve um pneu furado, o que fez com que o veterano caísse para último, parasse nos boxes e já voltasse à pista uma volta atrás do líder Vettel. Rubens encerraria a corrida na volta 25. Pastor Maldonado também não iniciou bem, perdeu parte da asa traseira em um toque com Sérgio Pérez, da Sauber, e parou ainda no nono giro da corrida. Em seguida, abandonou.

No próximo final de semana tem o GP da China e se até lá não aparecer um toureiro valente capaz de dominar os touros vermelhos do time dos energéticos austríacos. Algumas equipes demonstram que estão dispostas a encarar a fera e arrancar as vitórias fáceis da Red Bull, como a McLaren, Ferrari e Renault, mas, por enquanto, só atiçam o touro e não o atacam. Vettel, enquanto isso, cumpre seu papel deheldentenor (tenor heróico, em português), e rege sorridente sua releitura de Tristan und Isolde (Tristão e Isolda, em português), ópera de seu compatriota compositor Wilhelm Richard Wagner (1813-1883). Ou seja, cada corrida é uma ária para encher os olhos de emoção, os ouvidos de sons complexos e, ao final, a vitória incontestável, entre tenores e barítonos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...