Rubens Barrichello  é carta fora do baralho - Foto: Mister Shadow/Pagos

Rubens Barrichello é carta fora do baralho – Foto: Mister Shadow/Pagos

O rumor que apontava o retorno de Rubens Barrichello à Fórmula 1 em 2014 virou fumaça. A Sauber havia aventado publicamente interesse pelo brasileiro foi a mesma que jogou água na fogueira, pondo um ponto final na estória. Sábado (5), Monisha Kaltenborn, chefe da equipe, afastou qualquer possibilidade de contratação do veterano de 41 anos, 19 temporadas completas, 322 GPs disputados, dois vice-campeonatos pela Ferrari e que encerrou sua carreira na F-1 foi em 2011, pela Williams.

 

“Eu estou descartando a possibilidade dele dirigir para nós. Talvez seja melhor ser claro sobre isso. Eu tenho um grande respeito por Rubens e compreendo perfeitamente que ele quer dirigir, e que está tentando o seu melhor”, declarou Kaltenborn, após os treinos de classificação para o Grande Prêmio da Coreia do Sul. No Twitter, Barrichello se mostrou empolgado com a possibilidade de retornar para a principal categoria de automobilismo no mundo. “Muito legal toda a repercussão da historia da F1. A verdade é uma só: se a porta se abrir, estou dentro…”, postou.

 

Atualmente piloto da Stock Car no Brasil e comentarista de TV, Rubinho era uma opção para o desenvolvimento do carro da Sauber para a próxima temporada, quando entra em vigor o novo regulamento técnico. As novidades são muitas, a começar pela introdução de motores V6 turbo, proibição de troca da caixa de câmbio durante a temporada, chassis inédito, entre outros quesitos. Um piloto experiente, portanto, talvez fosse uma alternativa, mas não vingou. A atual dupla, formada pelo alemão Nico Hülkenberg – que pode acertar com a McLaren – e o mexicano Esteban Gutiérrez, de 22 anos, será parcialmente desfeita se Hulk, de fato, for embora. Sobraria, então, Gutiérrez e Sergey Sirotkin, de apenas 18 anos, para desenvolver os carros.

 

 

Monisha Kaltenborn aposta na jovem dupla - Foto: Getty Images

Monisha Kaltenborn aposta na jovem dupla de pilotos em 2014 – Foto: Getty Images

“Eu falo muito com Barrichello quando ele está por aqui (comentando os GPs), mas nós vamos apostar nos jovens pilotos e seguir em frente. É um pouco injusto também com ele, pois não parece esta numa boa situação. Por isso vou ser muito clara sobre isso: Nós não discutimos um lugar para o próximo ano”, pontuou Monisha.

 

Para Rubinho pode ter sido apenas um sonho. Um sonho rápido, e quando acordou a realidade era a mesma de quando adormeceu: ele está definitivamente fora da F1. Sem ufanismo, torcida, colaboração, pachequismo ou qualquer outro adjetivo, se o heptacampeão Michael Schumacher retornou à F1 pela Mercedes, Rubinho também poderia. Não deu certo. Paciência! Ele fez o que pode, respeitando contratos leoninos.

 

Felipe Massa, agora com uma trinca de peso, formada por Bernie Ecclestone e os Todt, (leia-se: Jean, presidente da FIA, e seu filho Nicolas, poderoso gerente de carreiras) encontrará colocação. Isso é certo. O próprio Bernie declarou abertamente sua simpatia pelo piloto paulista e fará por onde para que ele se recoloque. O chefão da F1 também se encarregou de dar uma mãozinha para outro Felipe, o brasiliense Nasr – atualmente na GP2 – para estar no grid no próximo ano. Tomara que dê certo.

 

O Brasil, segundo Ecclestone, tem importância no calendário, mas corre o sério risco de não ter representantes na principal categoria do automobilismo mundial nos próximos anos. Os dirigentes locais (entenda-se: CBA e federações estaduais) parecem desinteressados em desenvolver o automobilismo de base e capacitar pilotos, o que significa, aí sim, que, na melhor das hipóteses o país encerra um ciclo de campeões, iniciado por Emerson Fittipaldi, apenas como sede de GP. Sem pilotos e sem torcida.