RR devastado após o coma

RR devastado após o coma

Meus amigos devem ter notado minha ausência nos últimos dias. Eu sumi sim, mas por causa de complicações bastante sérias de saúde. Meu pâncreas, que está paralisado tem três anos, entrou em colapso e combinado com uma expressiva alta da taxa diabetes – atingiu índice de 485 entrei, tecnicamente, num quadro de coma de glicemia, que poderia ter me levado a óbito. Cena: língua enrolada – e consequente falta de oxigenação do cérebro –, olhos revirados, roxidão na face, perda de sentidos e desmaio. Minha sorte foi estar em casa e ter sido socorrido a tempo. Escapei de novo, mas foi por pouco. Vale lembrar que essa foi minha quarta e detestável experiência de quase morte. Por isso valorizo a vida. Fiquei alguns dias internado para passar novamente por uma batelada de exames para averiguar se não ficaram sequelas da pane hidráulica e, aparentemente, está tudo bem, mas devo ficar fora de combate por mais algum tempo.

 

Otimista como sempre, eu prefiro considerar que foi um acidente de corrida, mas meu powertrain deu sinais claros de fadiga bem como a lataria, visivelmente deteriorada pela ação do tempo e do uso intensivo. As suspensões arriaram, o sistema de freio não é mais tão eficiente e o arrefecimento do motor exige atenção redobrada. As fotografias não escondem nada por mais que tentamos, amigos. Uma simples comparação de RR em 2016 com o mesmo RR antes do baque são suficientes para determinar o tamanho do estrago. Mas não foi por falta de manutenção preventiva ou corretiva. Sigo a risca as orientações do manual do proprietário.

 

RR antes. Sutil diferença.

RR antes. Sutil diferença.

Segundo a equipe médica que me acompanha de longa data, apesar de eu administrar corretamente a insulina e outros medicamentos os quais me mantêm vivo, controlar a alimentação – sempre balanceada e na hora certa –, o que pode ter levado agora a este quadro nebuloso pode ter sido uma combinação de forte descarga emocional e por ter saído da cama sem aval médico para ir até o São Paulo Expo, onde aconteceu o 29º Salão Internacional do Automóvel. Momento de felicidade: ver o paizão Luiz Carlos Secco de volta as atividades e receber homenagem da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).

 

A recomendação era para eu permanecer em repouso absoluto. Eu acreditei que tinha condições. Não tinha. Desrespeitei, paguei o preço. Diante disso, eu não consegui nem participar das entrevistas coletivas e nem visitar como cidadão comum o principal evento da indústria automotiva. Mas tenho a obrigação moral de agradecer ao pessoal da Assessoria de Imprensa da Reed, particularmente à Teresa Silva, profissional eficiente e muito respeitosa como todos os veículos de comunicação.

 

Não foi a primeira vez que escutei a frase “se você não parar agora vai parar para sempre”. Sabendo disso nunca abaixo a guarda. Qualquer sinal diferente eu procuro ajuda médica. Como paciente sou um cara honesto comigo mesmo. Se a doença se instalou, bora tratar para evitar que ela avance. Diabetes é uma doença surda e muda e age sem que o paciente perceba. Ela não é novidade. Tenho histórico familiar, a começar por minha tetravó, e, por isso, não me descuido. Desta vez aconteceu um imprevisto, e ele é assustador.

 

Meu blog voltará a ser atualizado assim que eu receba sinal verde dos médicos. Até lá, meu corpo permanecerá na oficina de reparação para retornar à pista melhor preparado.

 

Obrigado pela compreensão de todos,

 

Ricardo Ribas.’.

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