Marcelo Fonseca – Divulgação

Até pouco tempo, a legislação brasileira sobre proteção balística de automóveis exigia que todos os veículos recebessem blindagem em todo o habitáculo. Isso mudou com a Portaria nº 94 do Comando Logístico (Colog) do Exército Brasileiro, publicada em agosto de 2019. O documento autoriza as viaturas de polícias e outros órgãos de segurança pública a poderem ter blindagem apenas em partes da cabine, estimulando a adoção da tecnologia pelos governos.

Com a revisão da lei e a permissão da blindagem parcial, os órgãos de segurança e ordem pública (OSOP) poderão proteger os pontos considerados mais críticos para a salvaguarda dos ocupantes – ou seja, somente peças estratégicas como para-brisa, portas, capô, piso e teto.

Antes da Portaria nº 94, a obrigatoriedade da blindagem integral, assim como acontece com os automóveis civis, reprimia adoções nas viaturas por questões de custo. Além disso, o incremento de peso da proteção total tendia a comprometer o desempenho veicular para uso policial, uma vez que muitas viaturas são veículos de potência média.

“A mudança facilita o acesso a uma tecnologia que comprovadamente salva vidas, aumentando a proteção de quem trabalha para proteger a sociedade”, afirma Marcelo Fonseca, líder de estratégia do segmento de Proteção Balística da DuPont.

Benefícios a todos – Inventora do Kevlar, fibra de aramida que é referência em proteção balística, a DuPont avalia positivamente a nova opção admitida pela Portaria no 94. “Não temos um número exato, mas a frota de viaturas brasileira é expressiva. Além de reduzir riscos aos integrantes das corporações, a proteção parcial fomenta o mercado de blindagem. A medida beneficia a todos”, analisa Fonseca.

Por ter voz ativa no campo da proteção balística, a DuPont tem procurado compartilhar conhecimentos sobre tecnologias, normas e especificações técnicas com as instituições de segurança interessadas. Em junho, a empresa realizou um webinar sobre a blindagem de viaturas. Fora o pioneirismo no desenvolvimento de materiais balísticos, a empresa possui há uma década em Paulínia (SP) o mais avançado laboratório de testes balísticos da América Latina.

O diálogo e o trabalho conjunto com o setor de segurança são fundamentais devido à vigência recente da permissão no Brasil. Na América Latina, a Argentina já adota um número considerável de viaturas parcialmente blindadas.

A proteção balística em partes críticas faz todo o sentido para as viaturas não somente em termos financeiros, mas também operacionais. Por ter menos peso, ela permite manter a dinâmica veicular original, não comprometendo o desempenho dos automóveis em patrulhas ou perseguições”, resume Fonseca.