Daniel Ricciardo levou a pior - Sutton Images

Daniel Ricciardo levou a pior – Sutton Images

A súbita e surpreendente evolução do RB10 de Daniel Ricciardo, da Red Bull, que durante dos testes da pré-temporada era um saco de problemas, ao conquistar a segunda colocação no GP da Austrália, e depois desclassificada, teve, para muitos, um sotaque de desonestidade. O fluxômetro, aprovado pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo) apresentou problemas de variação, que, pelo regulamento, deve controlar a injeção de combustível no limite de 100 kg/h. Sinceramente, eu discordo. Se os sensores do fluxômetro apresentaram disparidades, fora substituído, e mais tarde recolocado nos carros da equipe rubro-taurina, erraram todos, e manchou ainda mais a imagem desgastada da F1.

 

Os comissários avisaram a equipe sobre o problema e exigiram que ela controlasse o dispositivo. Mas como, se o mesmo apresentava variação de comportamento? No meu entender, se os fluxômetros dos carros de Ricciardo e do tetracampeão Sebastian Vettel estavam bichados, o correto seria trocar os dois ou aceitar o resultado da prova como “normal”. Vettel teve problema de desempenho, possivelmente causado por falha na alimentação do motor V6 1,6 litro turbo, ficou a pé logo na primeira volta, enquanto o carro de seu companheiro de equipe andou na frente. O alemão, com efeito, tinha motivos de sobra para não sorrir.

 

Vettel, também de RBR R10, largou e parou - Sutton Images

Vettel, também de RBR R10, largou e parou – Sutton Images

“Parece que um cilindro se soltou por alguma razão, e precisamos entender o que causou isso, se foi algo elétrico ou eletrônico. Desde o sábado de manhã o motor do carro de Sebastian Vetttel nos deu trabalho enquanto não havia qualquer razão lógica para isso. Os ajustes são os mesmos que no carro de Ricciardo, ambos motores novos. Isso mostra o quão equilibrados nós estamos no momento”, explicou Christian Horner, chefe da Red Bull. Horner não citou o drama do superaquecimento, que deixou Seb parado na pista do Bahrein com cara de pastel.

 

De volta ao fluxômetro, a ideia de controlar a injeção de combustível e usar os dois sistemas de recuperação de energia, o ERS, parece boa. Mas exige tempo de maturação e testes, muitas horas de teste já que para transformar a F1 “essência”, com motores aspirados, em híbrida, como já acontece com alguns carros esporte-protótipos do Campeonato Mundial de Endurance, como o Audi E-Tron, dirigentes e equipes da categoria terão de pagar um preço por isso até que tudo funcione com a precisão de um relógio suíço. Entretanto, não pense você, caríssimo leitor, que concordo com qualquer tipo de jogada a favor deste ou daquele time. Não ganho para isso. Só não me parece justo desclassificar uma equipe na qual um dispositivo homologado pela FIA apresentou problema.

 

Ricciardo, sem dúvida, é um piloto rápido, mas seu equipamento não andou tão mais rápido que a Mercedes de Nico Rosberg, e nas voltas finais em Albert Park sentiu bafo na nuca de Magnussen e Button, ambos da McLaren. Vale a pergunta: se todos os carros são equipados com fluxômetro da mesma fabricante, por que só o da Red Bull teve problema? Dizer que foi um problema no programa que controla o equipamento ou de erro na aerodinâmica pelo superaquecimento, por favor, não cola.

 

Fluxômetro Gill, homologado pela FIA - Divulgação

Fluxômetro Gill, homologado pela FIA – Divulgação

Em nota divulgada  dia 18, a fabricante Gill Sensors afirmou que, ao dar um retorno positivo, a Federação Internacional de Automobilismo “confirmou sua confiança no desenvolvimento e no fato de que os medidores atendem às especificações de precisão da FIA”, assinalou a empresa. “O desenvolvimento do medidor incluiu um extenso programa de testes, o qual envolveu ligações com muitas das equipes da F1 com seu valioso retorno para o desenho e a funcionalidade do fluxômetro. A calibragem do sensor é feita por uma terceira empresa contratada pela FIA”, afirma a empresa no comunicado. Seria o caso, então, de culpar a empresa terceirizada pela calibragem e devolver os pontos à Ricciardo? Eis a questão.

 

“Os fluxômetros utilizam tecnologia ultrassônica que foi selecionada por sua resiliência em condições operacionais extremas. A FIA escolheu a Gill Sensors para esse desenvolvimento complexo por causa dos 29 anos de experiência comprovada com produtos ultrassônicos”, conclui.

 

A Red Bull, por meio de contestação para recuperar os pontos, acusou os sensores fornecidos de inconsistência nas marcações e disse que mais times tiveram problemas. No fim de semana, a FIA admitiu as falhas do sistema. Esta na hora de os comandantes da principal categoria do automobilismo mundial sentarem e, com calma, decidirem que futuro querem para a F1. Bernie Ecclestone deixou claro que não gostou da falta de ruído dos motores e, acredite se alinhou com a posição dos organizadores do GP australiano. F1 sem barulho não tem graça. O torcedor também sabe disso.

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