Sábado (13), feriado prolongado por conta do Dia das Crianças e Nossa Senhora Aparecida, calor intenso em São Paulo, cidade com tráfego muito abaixo do normal. Minha mãe, dona Maria da Penha Ribas Perito, completaria quase um mês de internação no Hospital Leforte, onde, com um quadro pra lá de preocupante, de degradação completa de todos os sentidos. O tratamento, diante da situação de precariedade, era, a partir de então, apenas paliativo, para evitar dores. Assim foi feito.

 

No dia anterior, minha irmã, meu cunhado e eu tivemos uma reunião com uma médica da equipe que a acompanhava e ouvimos foi o que já sabíamos, que o ciclo de vida daquela que nos proveu vida; amor; conhecimentos, tais como, valorizar que é importante e perdoar quem tentar nos atingir; alegria, entre tantas outras coisas, estava a findar. Mãe de amor gigante, ela esperou que nós deixássemos o hospital para partir.

 

Cheios de emoção estendemos a visita até perto da meia noite. Assistimos a enfermeira medir sinais vitais e derramar lágrimas ao verificar que a pressão arterial estava em 7 x 6, prenúncio que o corpo já não reagia mais a nenhum antibiótico, nem mesmo os de altíssima tecnologia. Entreolhamos-nos em silêncio com a certeza que tudo que estava ao nosso alcance e da medicina não eram mais suficientes para dar sobrevida ou qualidade de vida. O fim estava próximo. Era questão de tempo.

 

Eliana, a cuidadora contratada para acompanhar minha mãe, do alto de sua experiência foi enfática: “ela aguentou enquanto pôde”. A passagem, no entanto, foi mais rápida do que esperávamos. Na madrugada de domingo o Grande Arquiteto do Universo . ‘ ., cansado de esperar, a chamou para com ela compartilhar da vida eterna junto de nossos antepassados.

 

Fui informado da passagem pela minha irmã. Chorei. Sim, eu chorei muito, mas aceitei, por entender que ela lutou, nós lutamos, os médicos lutaram para controlar o estrago que três aneurismas, sendo um do tamanho de uma laranja, provocaram. Minha irmã pediu, acertadamente, para eu esperar o corpo chegar ao velório e não ir ao hospital. Não tinha mais nada a fazer. Em 1989, eu acompanhei meu pai, vítima de câncer com metástase espalhada por todo o organismo. Foi uma péssima experiência vê-lo definhar e ouvir do médico algo “ele não passa de hoje e tem apenas 5% de um pulmão em funcionamento”, e não passou. Mas sempre esteve entre nós, ainda que no coração. Seo Mário Nicodemo Perito foi marido apaixonado, pai presente, amigo incondicional, confidente, uma figura exemplar.

 

Hoje, dois dias após o sepultamento do corpo da minha mãe, os familiares experimentamos uma profusão de sentimentos, de tristeza profunda a alívio. Não conversei com ninguém da minha família ou amigos, que se reuniram no Cemitério da Paz, para o último adeus (ao corpo). Não me sinto preparado para nada, exceto agradecer à minha amada mãe por tudo e orar, orar muito, orar com devoção para que sua alma esteja em Paz Profunda. E agradecer a todos amigos que fizeram correntes de oração, de canalização de energia positiva para minha mãe. Mario e Maria se reencontraram, e certamente, estão em festa no céu.

 

Minha mãe deixa um legado formidável. Até breve, mamãezinha querida!