O JAC J2 oferece mais por menos, mas a compra deve ser mais racional do que passional já que desvaloriza mais rápido - Foto: RR

O JAC J2 oferece mais por menos, mas a compra deve ser mais racional do que passional já que desvaloriza mais rápido – Foto: Ari Paes de Almeida

 

Quando você emparelhar no semáforo com um carro chinês, aparentemente inofensivo com jeitinho de Pokémon e que passa uma breve lembrança de carro popular dotado de motor de 1 litro, pense duas vezes antes de querer bancar leão de semáforo. Estou falando especificamente do JAC J2. Ele pode parecer manso, boa gente, mas não é. Eu testei exaustivamente o J2, ano 2014/2015, durante nove dias na cidade de São Paulo e em trechos de estrada como um consumidor comum – algumas vezes não tão civilizado, é verdade – e me surpreendi, sobretudo com o desempenho e prazer de dirigir que o J2 proporciona, embora levemente assustador no quesito consumo.

 

Bonito de ver, bom de andar, na versão testada o J2 não é um veículo para quem quer desaparecer na multidão - Foto RR

Bonito de ver, bom de andar, na versão testada o J2 não é um veículo para quem quer desaparecer na multidão – Foto: RR

 

Voltado para um público com idade entre 30 a 45 anos e família não numerosa, o carro é uma alternativa de compra a ser considerada tanto para uso urbano quanto rodoviário, mas não pode ser passional e sim racional. Zero KM, o J2 custa convidativos R$ 38.990,00, enquanto a versão testada pode ser encontrada no mercado por algo em torno R$ 33.000,00, uma desvalorização de 15,36% em um ano.

 

Compacto, o J2 mede 3,5 m de comprimento  por 1,64 m de largura e 1,47 de altura e pesa 950 kg sem carga - Foto: RR

Compacto, o J2 mede 3,5 m de comprimento por 1,64 m de largura e 1,47 de altura e pesa 950 kg sem carga – Foto: RR

 

Visto por fora, o J2 tem uma carroceria de linhas limpas e fluídas, que ganha destaque quando observado sem pressa. A carroceria hatch do subcompacto tem um vinco discreto que começa na porta dianteira e vai até o extremo da traseira. Por cima da pintura os apliques de faixas em branco e preto fosco dão um toque de esportividade, partindo do capô até o baixo da porta do micro porta-malas, onde se encontra um aplique preto de plástico no para-choque com sensores sonoros de estacionamento.

 

A iluminação na porta é item encontrado em veículos mais caros - Foto: RR

A iluminação na porta é item encontrado em veículos mais caros – Foto: RR

 

Internamente, a ótima oferta de conteúdo contrasta com a baixa qualidade do acabamento. Embora agradável aos olhos, há excesso do uso de plástico duro, ruim ao toque e transmite a sensação imediata de papai é pobre. O pacote de fábrica de conforto e conveniência inclui direção com assistência elétrica, ar-condicionado, vidros, travas e retrovisores elétricos, CD Player com USB, seis alto-falantes (cá entre nós, se for adquirir um J2 trate fazer uma poupança para investir em um equipamento e alto-falantes melhores já que os originais são ruins.), volante com regulagem de altura, alarme, chave canivete com abertura remota, travamento automático das portas a 15 km/h, rodas de liga leve, além de sensor sonoro de estacionamento e faróis de neblina.

 

O volante de direção tem boa empunhadura, a alavanca de câmbio tem engates macios, o ar condicionado não tem saída central  - Foto: RR

O volante tem boa empunhadura, a alavanca de câmbio tem engates macios com curso longo – Foto: RR

 

No uso diário, porém, foram identificados alguns senões, tais como, a localização dos comandos de vidros no baixo do painel central (quem teve VW Gol sabe) exige desvio da atenção do condutor, bem como o regulador elétrico dos espelhos retrovisores instalado no meio apoia braço. Senti a falta de uma saída central do ar condicionado. Ela até existe, mas está sobre o painel. Ou seja, até que se atinja a temperatura desejada demora algum tempo. Fora isso, o indicador de direção do ar aparenta estar para enfeite. Tentei direcionar o fluxo ar nas diferentes posições e todas elas davam pinta de não atenderem ao pedido. Outra falha, essa bem grave, é o acúmulo de água e sujeira que fica na vigia dianteira ao usar o limpador de para-brisas, cujo eixo da palheta fica do lado do motorista. Eu testei o carro em dias de calor terrível e chuvas torrenciais na capital paulista. Evitei, sim, pontos de alagamentos, afinal o J2 é um carro não um bote ou submarino.

 

 

A visão do motorista fica comprometida durante a chuva - Foto: RR

A visão do motorista fica comprometida durante a chuva – Foto: RR

Os bancos são simples, revestidos com tecido macio, não cansam, mas dá uns trancos indesejáveis na hora de ajustar. Seria bacana que o encosto do banco traseiro fosse dividido (40/60, por exemplo), de modo a não ter de rebaixá-lo por inteiro para privilegiar o aumento do volume de carga. O porta-malas comporta apenas 190 litros, ou seja, pouco mais que uma bolsa feminina. Também senti a falta de uma tampa para o porta-luvas. O espaço existe, mas é aberto. Ou seja, tudo que se coloca nele fica à vista. Por outro lado, há nichos nas portas, dois porta-copos no console central e um na traseira. Cinzeiro e isqueiro nem como opcionais.

 

Motor tem força e torque que surgem em altas rotações, o que aumenta o consumo de combustível - Foto: RR

Motor tem força e torque que surgem em altas rotações, o que aumenta o consumo de combustível – Foto: RR

 

Por debaixo do capô, o motor 4L 1.4 litro de 16 válvulas VVT (sigla de comando de variação de tempo de abertura de válvulas, em livre tradução) bicombustível (gasolina ou etanol ou ambos em qualquer proporção) combinado com o câmbio manual de cinco marchas forma um trem de força interessante, embora o curso da manopla seja algo longo. No modo civilizado, o J2 arranca com suavidade e quanto atiçado, já no modo agressivo, ele responde com eficiência atlética, mas cobra um preço, o consumo. Fiz as medições com combustível fóssil, vegetal e misturado.

 

O espaço para ombros e cabeça é razoável é micro para pernas e joelhos para os dois ocupantes do banco traseiro - Foto: RR

Espaço para ombros e cabeça é razoável é micro para pernas e joelhos para os ocupantes do banco traseiro – Foto: RR

 

Em todas não houve alteração significativa de consumo, variando entre 8,4 km/l sem ar condicionado e 7,7 km/l com ar fresco na cabine. Porém, se o condutor descer a bota o carrinho animado terá de fazer mais visitas aos postos de abastecimento. A média cai vertical e assustadoramente, para 7,1 km/l e 6,2 km/l, respectivamente. O tanque de 35 litros é pequeno para um motor que tem sede. Mas vale a diversão. O J2 pode ser comparado a um kart com bolha tamanha a disposição e convite para acelerar.

 

De leitura fácil, as luzes do painel ficam permanentemente ligada, mas se o condutor for um pé de chumbo verá o indicador de combustível se movimentar mais rápido que o desejado - Foto: RR

De leitura fácil, as luzes do painel ficam acendem ao acionar a chave do tipo canivete – Foto: RR

 

A sinergia entre motor e câmbio redunda em confiança na hora de uma ultrapassagem, e quando convocado a acordar (leia-se: uma tocada mais esportiva) não decepcionada. Pelo contrário, no teste de arrancada, o J2 chegou ao limite da primeira marcha aos 48 km/h; a segunda aos 85 km/h e a mais de 120 km/h em terceira. O J2 fez de 0-100 km/h em bem razoáveis 11,7s e atinge velocidade máxima de 197 km/ (dados do fabricante). As retomadas de velocidade obtiveram boas marcas, observando que fiz as medições dentro do município de São Paulo em vias sem trânsito e sem radares. Posso afirmar que o brinquedo sino-baiano (as chapas são de Camaçari – BA) pede marcha e giros corretos, sempre acima das 4.000 rotações por minuto, onde as curvas de torque (de 126 N.m – 14,1 kgm.f – entre 3.000 e 4.500 mil rpm) se aproxima da curva de potência máxima (108 cv a 6.000 rpm). Consome muito? A resposta é sim, mas vale vez ou outra e não dar bola para o escorpião que mora no bolso.

 

O porta-malas comporta 190 litros, mas se o proprietário for pode rebater o encosto integral para acomodar mais bagagem - Foto RR

O porta-malas comporta 190 litros, mas pode-se rebater o encosto integral para acomodar mais bagagem – Foto: RR

 

Quem adquirir um J2 terá a certeza de diversão. O carro contorna curvas de diferentes ângulos com precisão atlética e freia com eficiência graças ao bom conjunto de suspensões do tipo McPherson com barra estabilizadora e molas helicoidais, na dianteira, e braços triangulares e molas helicoidais, na traseira. Apesar de firmes, o conjunto copia as imperfeições das péssimas vias paulistanas e provoca ruídos. Defeito do carro? Não. É falta de manutenção adequada nas ruas da cidade mesmo, e não fosse a restrição de velocidade e os milhares de radares, acredite, daria para brincar com vigor ao volante do valente J2.

 

Farol de neblina, entre outros acessórios de fábrica, constam no J2 - Foto: RR

No detalhe, farol de neblina, entre outros acessórios de fábrica, constam no J2 – Foto: RR

 

Como disse no começo desta avaliação, a compra de um J2 deve ser racional. O carro é bem interessante, mas não pode se perder de vista a desvalorização no mercado. Se a comparação for por preço versus conteúdo, o J2 leva vantagem sobre os carros populares pelados, mas emparelha rodas com os equipados com motores 1.6 litro. Concorre contra o preço do seguro (veja tabela), rede de concessionárias, preço de peças de reposição e de reparo, mas ganha em conteúdo já que sai de fábrica dentro da categoria Premium, enquanto na concorrência nacional as redes são maiores, mas o preço para ter um carro bem equipado pesa no bolso. 

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