Rosberg manteve a liderança desde a largada até a bandeirada final - Sutton Images

Rosberg manteve a liderança desde a largada até a bandeirada final – Sutton Images

 

O alemão Nico Rosberg venceu de ponta a ponta o sem graça GP do Brasil, disputado domingo (15) no Autódromo de Interlagos, e  garantiu o vice-campeonato da temporada 2015 da Fórmula 1. O tricampeão mundial Lewis Hamilton, que sonhava com uma vitória no autódromo paulistano terminou em segundo seguido de Sebastian Vettel, da Ferrari, que fez uma corrida isolada, e nem se vencer em Abu Dhabi terá condições matemáticas de passar seu compatriota na tabela de pontos. O campeonato e vice estão definidos. Ponto!

 

Tricampeão Hamilton não conseguiu a esperada vitória em Interlagos, só  acompanhou Rosberg sem atacar - Sutton Images

Tricampeão Hamilton não conseguiu a esperada vitória em Interlagos, só acompanhou Rosberg sem atacar – Sutton Images

 

Depois do sacode que tomou do inglês, Rosberg parece que tomou tento e sabe que precisa se firmar dentro da equipe, possivelmente para entrar na temporada de 2016 com a moral, no mínimo, mais equilibrada do que nesta, quando conquistou cinco vitórias, a 13ª em sua carreira na principal categoria do esporte a motor mundial. O alemão da Mercedes tem velocidade, mas peca em consistência e equilíbrio emocional. Não fossem esses detalhes, ele não teria cometido um erro primário de pilotagem e dado de bandeja o título de campeão mundial por antecipação ao seu companheiro de equipe em no GP dos EUA, disputado no belíssimo Circuito das Américas, em Austin.

 

Massa mais uma vez não foi bem - Sutton Images

Massa, desclassificado, e Nasr mais uma vez não foram bem. Decepcionaram! – Sutton Images

 

Em baixa – Ainda não consigo entender o motivo pelo qual Felipe Massa, da Williams, é constantemente 0,3s, em média, mais lento que seu companheiro de equipe, o finlandês Vatteri Bottas. Em Interlagos não foi diferente. Bottas fez uma ótima largada e ocupou a quarta posição durante boa parte da prova, enquanto Massa até ameaçou uma reação, que não se consolidou, e terminou em um decepcionante oitavo lugar, que perdeu, horas mais tarde, por um deslize da equipe ao calibrar errado os pneus de seu carro. Já Nasr sofre com a fraca e pouco desenvolvida Sauber fez a corrida que pode até perder rendimento nas últimas voltas e terminar em uma melancólica 14ª colocação.

 

Diferentemente dos anos anteriores, haviam lugares nas arquibancasas, e nem mesmo os torcedores da Ferrari ocuparam os espaços - Sutton Images

Diferentemente dos anos anteriores, haviam lugares nas arquibancadas, e nem os ferraristas ocuparam os espaços – Sutton Images

 

Para os torcedores, que não lotaram completamente as arquibancadas do autódromo, restou torcer por uma possível disputa entre os pilotos da Mercedes, que não aconteceu. Hamilton correu em Interlagos com a parte traseira do capacete com as cores do seu ídolo declarado, Ayrton Senna. Não houve emoção. Foi como ver um jogo de equipe velado, para favorecer Rosberg. De sua parte, Hamilton reclamou dos pneus e, por isso, não teve condições de ultrapassar o alemão na pista. Pode ser, mas que abre espaço para considerações, isso abre, levando em consideração a lavada que Lewis deu em Rosberg durante o ano.

 

Nem Senna ajudou Hamilton a vencer em Interlagos - Reprodução

Nem Senna ajudou Hamilton a vencer em Interlagos – Reprodução

 

O porre de chatice se refletiu também em audiência televisiva. Enquanto a Globo, emissora responsável pela transmissão, registrou média de 10,5 pontos, a Record contabilizava média de 11,8 pontos com a exibição dos igualmente enfadonhos Domingo Show e Hora do Faro, e o SBT, com 6,7 pontos, com Domingo Legal, comandado por Celso Portioli, seguido pelo dominical de Eliana. Os números não são os finais do Ibope, mas a margem de erro, neste caso é o que menos importa, e demonstra que o telespectador não tem mais saco para aguentar corridas com resultados previsíveis e padece de ídolos nacionais que justifiquem dormir pouco, retardar horário de almoço. Resumindo, o “produto Fórmula 1” perdeu charme, e a audiência não perdoa.

 

A Globo, que de boba não tem nada e é dona de mais de 80% das verbas publicitárias investidas no meio Televisão, já vinha sinalizando desinteresse pelo produto há algum tempo. Tanto assim, que os grandes prêmios dos Estados Unidos e do México foram transmitidos na íntegra pelo canal fechado SporTV. A desculpa foram as coincidências de datas com partidas do Campeonato Brasileiro de futebol. Com efeito, o esporte bretão é garantia de manutenção de audiência e menos complicado do que encontrar possíveis patrocinadores para outro que não peca duplamente ao deixar de ser esporte e sim negócio e da cada vez menor participação de pilotos brasileiros em condições de disputar título. O Brasil terá de esperar um bom tempo para voltar a se emocionar com a Fórmula 1, como aparece no vídeo abaixo (Crédito: Romero Dídio).

 

 

Não que a Globo não tenha se empenhado para transformar uma atração chata em algo melhor. Porém, de nada adianta deslocar um verdadeiro batalhão de repórteres e levar informação precisa quando o evento caiu em desgraça aos olhos dos telespectadores. Mesmo sem representantes nacionais, a MotoGP ou a Nascar, transmitidas pela televisão paga, são hoje de longe muito mais emocionantes que a Fórmula 1. O telespectador sabe quem é Lewis Hamilton, mas torce por Valentino Rossi, Marc Márquez ou Jorge Lorenzo, pois a categoria promove pegas sem jogos de equipe. Resumindo, ou a Fórmula 1 se repagina ou está fadada a ser, aí sim, uma categoria de elite, um desfile de carros em arenas de negócios, totalmente sem apelo. Registre-se!

 

GP do Brasil, Interlagos, resultado final:

(Crédito: f1.com)

(Crédito: f1.com)

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...