Red Bull do tetra tem problemas. Vettel tem domínio ameaçado? - Sutton Images

Red Bull do tetra tem problemas. Vettel perderá supremacia? – Sutton Images

Milhares de telespectadores apaixonados pela Fórmula 1 ficarão acordados e com os olhos grudados na televisão na madrugada do próximo domingo (16), quando o Mundial de 2014 dará a primeira largada no belo, rápido e desafiador circuito de Albert Park, em Melbourne, na Austrália, às 3 horas, mas com céu encoberto de nuvens de dúvidas. Isto porque o regulamento técnico para este ano fez com que tudo começasse do zero, a começar pela troca dos motores 2,4 litros V8 por um de 1,6 litro V6 turbo, que exige mais ventilação (leia-se: projeto aerodinâmico voltado mais para o propulsor do que aos pneus), novas caixas de marchas, suspensões, entre outros. Os testes da pré-temporada, ocorridos nos circuitos de Jerez de La Frontera, Espanha, e Sakhir, no Bahrein, mais do que inconclusivos, demonstraram que a maioria das equipes está longe da boa forma, o que significa que será aberta a temporada de caça aos erros.

 

Contribuição da F1 para a indústria automobilística pode acontecer a longo prazo - Sutton Images

Contribuição da F1 para a indústria automobilística pode acontecer a longo prazo – Sutton Images

Se a ideia dos dirigentes é de contribuir com a indústria automobilística ao promover downsize (redução da capacidade de deslocamento volumétrico dos motores, a famosa cilindrada), aí sim, pode ser uma atitude simpática, politicamente correta com o meio ambiente, com resultados de longo prazo. O mundo quer ar menos poluído com menos prejuízo à camada de ozônio, e Fórmula 1 pode funcionar como laboratório para o setor automotivo sim, mas para isso precisaria de tempo de maturação de ideias, as quais, por enquanto, não conseguiram resultados positivos. Só testes.

 

Mercedes está bem e larga como favorita - Sutton Images

Mercedes está bem e larga como favorita – Sutton Images

Teoricamente, a Mercedes está na frente, assim como as demais equipes empurradas por usinas da estrela de três pontas, no caso, Williams, Force India, McLaren, além da própria. Como F1 é pacote, o torcedor, que anda pra lá de desanimado com a principal categoria do automobilismo mundial (vide queda de audiência vertical nos últimos anos) verá no belo e rápido circuito de Albert Park um desfile de carros roucos (sim, amigos, o ronco dos motores turbo é incapaz de provocar arrepios e arritmias). Além de serem mais lentos que os que respiravam naturalmente.

 

Vettel, amargurado, sabe que pode ingressar no bloco do fundão se a Renault e RBR não entrarem em sintonia - Sutton Images

Vettel, amargurado, espera que  Renault e RBR não entrem em sintonia – Sutton Images

Já o motor Renault, o motor bicho papão das últimas quatro temporada e objeto de desejo de quem podia pagar por ele este ano está repensando. A tetracampeã mundial Red Bull que o diga. Sebastian Vettel, menino prodígio, dono de quatro títulos consecutivos, e seu companheiro de time, o australiano Daniel Ricciardo, tiveram tantos problemas nos doze dias de teste, que Adrian Newey, o engenheiro-mago das baratas rubro-taurinas está mais careca do que em 2013. O carro simplesmente não funciona. Corrigir erros de projeto e entrar em sinergia para fazer com que o motor Renault levará tempo.

 

A Lotus, que também usa a engenhoca Renault, está na dela, fria, sem caixa, com um carro mais feio que os narigudos de 2013. De cara, a equipe perdeu um dia de testes. É prejuízo de desenvolvimento. Menos abalada, mas não rápida, a Toro Rosso, por incrível que pareça, está melhor que a nave-mãe Red Bull e vai prestar assessoria para resolução do problema de enfisema pulmonar da RB10. Outra cliente da Renault, a Caterham, que resgatou do ano sabático o rapidíssimo Kamui Kobayashi, irá pilotar o CT05 de bico duplo, todos sabemos: andará no bloco do fundo, possivelmente acompanhada pela problemática RBR RB10.

 

Ferrari F14T de Alonso e Räikkönen é uma incógnita - Sutton Images

Ferrari F14T de Alonso e Räikkönen é uma incógnita – Sutton Images

Lá pelos lados da equipe de Maranello, as Ferrari FT14 T, que serão pilotadas por Fernando Alonso e Kimi Räikkönen, permanece como incógnita. O carro parece um pouco melhor que o do ano passado. Mas será mesmo? O próprio Alonso afirmou que a equipe tem “muito trabalho a fazer”, o que leva a crer que, de novo, o bicampeão terá de pegar o carro pelo pescoço para atingir bons resultados.

 

Maldonado (e), de Lotus-Renault tomada e Gutiérrez, de Sauber-Ferrari - Sutton Images

Maldonado (d), de Lotus-Renault tomada e Gutiérrez, de Sauber-Ferrari – Sutton Images

É claro que ninguém é tolo de dizer que a configuração deste ano é uma desgraça, afinal antes de ser esporte a F1 é um meganegócio que envolve milhões de verdinhas. Mas é. A FOM (Formula One Management), que detém os direitos comerciais da F1, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e equipes assinou acordo de cavalheiros para aprovar as tais regras, que deixou a categoria com cara de F-3 com sotaque de F-E (que estreia este ano), carros feios, cheios de artifícios, tais como: a troca do KERS pelo ERS, que reaproveita melhor a energia e a transforma em cavalaria extra para o motor; DRM, mecanismo de abertura da asa traseira em determinados pontos da pista para facilitar ultrapassagens, redução do número de motores a serem trocados durante o ano e pneus os quais nem Merlin saberá a mágica que a Pirelli vai fazer.

 

Felipe Massa, agora de Williams, pode surpreender, mas não se iluda - Reprodução

Felipe Massa, agora de Williams, pode surpreender, mas não se iluda – Reprodução

Rasga seda – O desempenho de Felipe Massa nos testes de pré-temporada rendeu elogios da Williams ao piloto brasileiro. O diretor técnico Pat Symonds disse que Massa é uma “peça-chave” no renascimento da escuderia britânica após uma temporada muito ruim, quando marcou apenas cinco pontos. Symonds qualificou como “magnífico” o trabalho de Felipe Massa e assegurou que o piloto brasileiro conseguiu realizar uma pré-temporada “soberba”. Resta saber se Massa fez tempo com tanque vazio e, na corrida,  andará no pelotão detrás.

 

“Massa conseguiu o melhor tempo nos últimos treinos da pré-temporada no Bahrein. É magnífico. Não sei exatamente o que podemos esperar porque não o conhecia antes de sua chegada a Williams, mas é um grande piloto e fez um trabalho de pré-temporada soberbo”, afirmou o diretor. “Massa é muito rápido, algo que já sabíamos, e apresenta bons e concisos dados sem complicações e diz o que está ocorrendo”, declarou Symonds ao ressaltar que o brasileiro será uma “peça-chave” na recuperação da Williams. Massa, por sua vez, se mostra esperançoso para o início do Mundial de Fórmula 1, que começa já no próximo fim de semana em Melbourne, na Austrália. “Gosto muito deste circuito. É um lugar fantástico e com uma grande atmosfera. As pessoas amam Fórmula 1 e sempre nos dão boas-vindas”, disse.