Pacto de Concordia ou de discórdia - Foto: Getty Images

Pacto de Concórdia ou de discórdia – Foto: Getty Images

Fedeu! Quando alguma mudança afeta o orçamento não há quem aceite de boca calada. Na semana passada, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) anunciou um novo Pacto da Concórdia, válido até 2020, que abre caminho para que a FOM (Formula One Management) negocie o fornecimento de combustível com um único fornecedor. O documento, assinado pela FIA e pela FOM, detentora dos direitos comerciais da F1, afirma que Bernie Ecclestone está “autorizado a conduzir negociações comerciais com potenciais fornecedores”. A informação é do diário alemão Bild. 

 

Acordo da  Shell  com Ferrar gerou gasolina V-Power - Foto Divulgação

Acordo da Shell com Ferrari gerou gasolina V-Power – Foto Divulgação

Pelo novo Pacto da Concórdia, a FIA aumentou a participação nos lucros e, em contrapartida, se comprometeu a criar um grupo de estratégia para decidir as novas regras da categoria, acabando com a comissão que existia anteriormente nesta função. Jean Todt, presidente da FIA, comemorou o êxito nas negociações. “Nós podemos ficar orgulhosos desse acordo, que estabelece bases mais efetivas para a governança do Mundial de F1. A FIA está ansiosa para continuar a cumprir seu papel de garantidora do regulamento e da segurança da F1 por muito mais anos”, afirmou.

 

A assinatura do novo Pacto da Concórdia também é importante para Todt, já que a pequena participação da FIA nos ganhos da F1 era uma das críticas que recebia no comando da entidade. Agora, com o aumento nas receitas, o francês entra fortalecido na disputa do novo pleito presidencial. Será?

 

 

A Williams, através da petrolífera PDVSA, será prejudicada - Foto: Charles Coates/LAT Photographic

A Williams sem PDVSA, será prejudicada – Foto: Charles Coates/LAT Photographic

A F1 sempre funcionou como laboratório de experimentação de componentes, os quais, uma vez aprovados nas pistas pode ou não ser introduzido em veículos de produção. Os freios a disco e câmbio automatizado são provas disso. O mesmo se pode dizer da indústria petrolífera, que, de novo, através das competições podem desenvolver combustíveis e lubrificantes mais eficazes no dia a dia do motorista comum. Para isso, elas investem centenas de milhões de dólares anualmente e as equipes usadas como laboratório ficam com uma fatia generosa do bolo financeiro. Os contratos são particulares (petrolífera x equipe) e uma vez quebrados ninguém ganha, principalmente os times, muitos deles em estado mais que preocupante, financeiramente falando, claro. Entendeu caro leitor, o motivo da chiadeira entre as equipes?

 

De acordo com a publicação alemã, a Ferrari teria um prejuízo de € 25 milhões (cerca de R$ 74,9 milhões) com a adoção de um fornecedor único. No caso da Mercedes, a equipe deixaria de embolsar cerca de R$ 89,8 milhões no contrato com a Petronas e a McLaren, por sua vez, teria seu orçamento comprometido se ficar sem a grana da Mobil.

 

 

McLaren tem acordo com a Mobil 1 -  Foto:  The Cahier Archive

McLaren tem acordo com a Mobil 1 – Foto: The Cahier Archive

Proálcool – A medida proposta pela FIA remete a 1973, quando o preço do barril de petróleo ficou tão caro, que o Brasil suspendeu as competições do esporte a motor. O Proálcool (Programa Nacional do Álcool) foi um programa de substituição em larga escala dos combustíveis veiculares derivados de petróleo por álcool (hoje conhecido como etanol), produzido da cana-de-açúcar e financiado pelo governo do Brasil a partir de 1975, através do decreto n° 76.593, em 14 de novembro, devido a crise do petróleo em 1973 e mais agravante depois da crise de 1979.

 

Depois de muita discussão, em 1978, foi introduzido o álcool, visto, à época, como a salvação da lavoura. O que a FIA e FOM estão propondo segue o que o Brasil fez no passado e depois – sem sucesso – recuou, quando os produtores de etanol reduziram o ritmo de produção de combustível e aumentaram a de açúcar já que a commodity estava mais valorizada no mercado internacional. Se apenas um fornecedor de combustível vingar poderá ser um tiro no pé em nome da redução de custos dentro de um esporte milionário.

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