Adeus ao bico de gonzo é agrado aos olhos do torcedor (Sutton Images)

Adeus ao bico de gonzo é agrado aos olhos do torcedor (Sutton Images)

Parece que a FOM (Formula One Management) e a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) se tocaram que a Fórmula 1 como está não dá para continuar. O Conselho Mundial da FIA se reuniu quinta-feira (26), em Munique, e aprovaram mudanças nos regulamentos técnico e esportivo da F1 para 2015, a começar pelo fim dos pavorosos bicos de gonzo, a redução do número de testes e do número de motores que poderão ser utilizados no próximo campeonato. Tem mais. As relargadas paradas após as intervenções do carro de segurança, que, a meu ver, parece bem questionável.

 

Na nota divulgada após a reunião, a FIA afirma que as alterações nas regras que especificam as dimensões do bico dos carros visam melhorar a segurança e o aspecto estético das peças. Como assim, as peças não foram aprovadas nos testes de impacto? Quanto a melhora na estética, tudo bem, já que se os bicos se assimilam ao gonzo também suscitam outras interpretações ligadas ao órgão sexual feminino. Será obrigatório que os discos de freio girem na mesma velocidade das rodas. Isso causa estranheza já que vai de encontro a proposta de transformar a F1 em híbrida. Ou seja, as unidades de recuperação de energia (ERS) terão, pelo regulamento, funcionamento reduzido.

 

Fim da relargada é medida paliativa (Sutton Images)

Fim da relargada é medida paliativa (Sutton Images)

Essa é de doer. No próximo ano, cada piloto poderá usar quatro motores para todas as corridas ou cinco, caso o calendário tiver mais de 20 corridas. A proposta, inicialmente, parece adequada. Após oito etapas disputadas este ano, nenhum piloto ficou a pé por causa de motor detonado. Por outro lado, sabendo da restrição de cinco motores por ano, a Red Bull, atual tetracampeã entre os construtores, mandou Sebastian Vettel recolher o carro no GP da Áustria a fim de evitar escassez de unidades de força no fim da temporada.

 

Medida interessante, que contempla o espetáculo, é a que permite ao carro que fizer uma troca completa de motor não largar dos boxes após a passagem do último carro. O piloto poderá começar a prova da última posição do grid e assim poderá acompanhar o pelotão, ainda que em pior condição de igualdade. É bem verdade que patrocinadores e piloto aparecerão pouco na tela da televisão, a não ser que o mesmo se envolva em um incidente, como o de Kamio Kobayashi e Felipe Massa. Mas essa é uma alternativa para melhorar o espetáculo de poucos personagens. Agora vem a parte sem recheio do bolo.

 

Equipes pequenas como a Caterham só aparecem se fizerem lambança (Sutton Images)

Equipes pequenas, como a Caterham, só aparecem se fazem lambança (Sutton Images)

Ficou decidido que os testes da terá três testes de quatro dias na Europa, divididos em duas baterias em 2016, e duas sessões de dois dias durante a temporada. A medida a meu ver é para reduzir custos e equiparar pequenas equipes com as grandes. Porém, isso é muito bonito e eficaz no papel. Quem é grande continuará grande e quem é pequeno a pagar lucro de quem investe mais. Se observar do ponto de vista prático, quanto menor o número de testes menor será o tempo de correção de projetos. A F1, insisto, deixou de ser laboratório da indústria automobilística faz tempo. Só não enxerga quem não quer.

 

Fora a redução do número de dias de testes, os trabalhos no túnel de vento ficarão limitados a 65 horas por semana Hoje são 80 horas. Cada time poderá usar somente uma estrutura por ano. O uso do CFD (sigla de Dinâmica de Fluído Computacional, em português) foi reduzido de 30 Teraflops para 25 Teraflops. Fica uma pergunta a ser respondida, possivelmente nas pistas: como é que uma equipe, no caso, de qualquer porte, coletará dados sobre o comportamento dinâmico do carro, que, embora seja através de simulação, oferecem diretrizes a serem corrigidas antes de ligarem os motores?

 

Toque de recolher parece bom. Para os mecânicos. (Sutton Images)

Toque de recolher estendido é bom (Sutton Images)

Por fim, a entidade máxima do automobilismo ratificou a permissão de uso dos cobertores térmicos, e, ao mesmo tempo, esticou de seis para sete horas o toque de recolher, que as equipes são obrigadas a cumprirem, para 2015, e para oito horas em 2016. O último item é válido já que contempla o tempo de descanso dos mecânicos, que correm contra o tempo. Sempre. Fora isso, eles passam mais tempo longe do que perto da família e corrida de carro não começa e termina na largada e na bandeirada final. Pelo menos em tese. E lembre-se: cada temporada dura quase nove meses, nas pistas ao redor do mundo, e mais um tempão fora dela.

 

Finalmente, os carros entrarão em regime de parque fechado no início do terceiro treino livre, não mais no início do treino classificatório. Isso deve fazer com que as atividades de pista de sexta-feira sejam mais movimentadas. Isso demonstra que a categoria está doente e ao perceber que o estado exige cuidados, a FIA colocou a F1 na Unidade de Terapia Intensa, para evitar sua morte.