Felipe Massa, quase campeão, em 2008 - Crédito: Reprodução/Instagram

Felipe Massa, quase campeão, em 2008 – Crédito: Reprodução/Instagram

Agora é oficial. Felipe Massa não é mais piloto da Ferrari. O anúncio foi feito pelo próprio piloto, através de nota em sua conta na rede social Instagram terça-feira (10). O piloto confirmou as notícias publicadas nos últimos dias por todos os meios de comunicação, que apontavam que seu contrato com o time italiano não seria renovado além deste ano.

 

Não vou mais correr pela Ferrari a partir de 2014! Gostaria de agradecer pela amizade, vitórias e um lindo momento com a Ferrari. A ajuda de minha esposa, da minha família e de todos os meus fans (sic). Toda a ajuda dos meus patrocinadores!!! Vou com tudo para as ultimate (sic) 7 corridas como piloto da Ferrari! A partir de agora, quero achar uma equipe que me dê um carro competitivo para conseguir mais vitórias e vencer um campeonato q e o meu sonho !! (sic)”, disse na nota.

 

O paulista estreou na escuderia de Maranello em 2006, disputou 132 corridas, marcando 15 pole-positions e vencendo 11 vezes. Ele é o segundo piloto que mais defendeu a Ferrari na F1, atrás somente de Michael Schumacher. O título de campeão mundial de 2008 esteve em suas mãos por alguns segundos, quando disputou até os últimos metros com o inglês Lewis Hamilton, da McLaren. Massa fez o que dele se esperava. Cruzou a linha de chegada em primeiro em Interlagos, mas, segundos depois, Hamilton superou o alemão Timo Glock na curva da Junção e ficou com o título de campeão.

 

 

Acidente de Massa na Hungria - Foto:AFP

Acidente de Massa na Hungria – Foto:AFP

Na Ferrari Massa viveu o céu e o inferno. Em 2009, no treino classificatório para o GP da Hungria, o piloto foi atingido no capacete por uma mola que se desprendeu do carro de Rubens Barrichello. O acidente o deixou de fora do restante daquele campeonato, e ele só voltou às pistas no início de 2010.

 

Nos últimos três anos, Massa dividiu a Ferrari com Fernando Alonso e foi amplamente superado pelo espanhol. O ponto de fragilidade deste período foi o GP da Alemanha de 2010, quando liderava a prova em Hockenheim e recebeu, via rádio, a ordem de equipe que se tornou uma das mais famosas e vergonhosas da F1: “Felipe, Fernando is faster than you. Do you understand this message?” (Felipe, Fernando é mais rápido que você. Você entendeu esta mensagem?, em português). Voltas depois, ele permitiu a ultrapassagem do companheiro, que venceu a prova.

 

 

Em 2012, a ameaça da não renovação de contrato voltou a pairar como uma nuvem escura sobre a cabeça de Massa, que teve um desempenho abaixo da média, levando-o a procurar tratamento psicológico para superar a má fase. Massa chegou a questionar se servia para ser piloto. Piloto ele é, talvez não para ser escudeiro na Ferrari, onde, com a saída de Schumi se tornou o que Alonso é hoje, primeiro piloto. Superada a fase, Massa teve uma reação fundamental na segunda metade do campeonato, o que lhe garantiu mais um ano de contrato com a equipe mais vitoriosa da F1.

 

 

Acidente de Massa em Mônaco -  Foto: Getty Images

Acidente de Massa em Mônaco – Foto: Getty Images

De contrato renovado, Massa fez um bom início de 2013, andou à frente de Alonso nas primeiras provas do ano e subiu ao pódio no GP da Espanha. E só. Os resultados negativos, novamente, começaram a aparecer a partir do GP de Mônaco, quando estampou sua Ferrari na grade de proteção, alegando falha do equipamento. A afirmação não soou bem nos ouvidos dos dirigentes da equipe e a sequência de resultados igualmente ruins podem ter sido os argumentos da Ferrari para a renovação do atual contrato.

 

Com o quarto lugar conquistado do GP da Itália no último domingo, Massa chegou aos 79 pontos na classificação dos pilotos desta temporada, ocupando o sétimo lugar. O companheiro de Ferrari, Alonso, tem 90 pontos a mais e soma 169, atrás apenas de Vettel na corrida pelo título mundial. Já Räikkönen é o quarto colocado, com 134.

 

A expectativa agora é que a Ferrari anuncie o retorno de Kimi Räikkönen ao time. Em 10 de setembro de 2006, há exatos sete anos, que a contratação do finlandês foi oficializada pela Ferrari. Räikkönen disputou três campeonatos pelo time de Maranello, entre 2007 e 2009, sagrando-se campeão no primeiro ano com a ajuda de Massa. Em 2008, ele foi superado pelo brasileiro e retribuiu o auxílio, embora sem sucesso. Em 2009, despediu-se do time, demonstrando descontentamento geral com tudo.

 

 

Felipe Nasr conta com apoio de Bernie - Foto: Reprodução

Felipe Nasr conta com apoio de Bernie – Foto: Reprodução

E agora? – O risco de o Brasil ficar sem um representante na categoria existe. Mas é pouco provável. Os Felipes Massa e Nasr, hoje na GP2, contam com um aliado de peso: Bernie Ecclestone. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o homem-forte da Fórmula 1, trabalha nos bastidores para garantir a permanência de Felipe Massa na categoria e já garantiu publicamente apoio a entrada do brasiliense Nasr. Mesmo se o piloto tenha sua saída da Ferrari confirmada para a próxima temporada, o presidente da Formula One Management (FOM) já articula com outras equipes para que o Brasil não fique sem representantes em 2014. Uma das possibilidades seria a Lotus, caso a equipe abra mão do finlandês Kimi Räikkönen à Ferrari para a vaga do próprio Massa. Este rumor, aliás, ganha força a cada dia. Outra opção para Ecclestone é apoiar a contratação de Felipe Nasr em alguma equipe da Fórmula 1, entre elas, Toro Rosso, Force India e Sauber. O futuro de Massa na Ferrari está decidido.

 

A Ferrari deve anunciar seu segundo piloto quarta-feira, mas determinou que o anúncio só aconteceria após o GP da Itália, vencido por Sebastian Vettel. Já a Lotus, por sua vez, ainda está se esforçando para convencer Räikkönen a ficar na equipe. A injeção de dinheiro dos novos patrocinadores pode ser determinante na decisão do finlandês.

 

 

Kimi Räikkönen pode montar no cavalinho rampante -  Foto: Tom Gandolfini/AFP

Kimi Räikkönen pode montar no cavalinho rampante – Foto: Tom Gandolfini/AFP

Se a Ferrari assinar com Räikkönen deverá implementar uma mudança de política para a equipe, que hoje foca seus esforços sobre Alonso e suas ambições de título nos últimos anos. Houve rumores de que Alonso estaria descontente com a chegada de Räikkönen pelo fato de o finlandês poder jogar vodka na sua intenção de conquistar seu terceiro título de campeão mundial, afinal ambos são pilotos vencedores e têm gana de vitórias.

 

Nico Hülkenberg corre por fora à vaga da Ferrari, agora com Massa demitido. A favor do alemão, hoje na Sauber, há um retrospecto de boas apresentações na Williams – ele foi pole no GP do Brasil em 2010 –, fez um bom trabalho como piloto reserva na Force India e encheu os olhos dos chefes de equipe com a quinta colocação no GP da Itália com uma Sauber problemática. Hülkenberg também é cogitado para assumir o posto de Kimi Räikkönen na Lotus, caso de transferência para a Ferrari se concretize. Como se pode ver, a vida de Massa na F1 não é um céu de brigadeiro.

 

Nasr – Se a intenção de Ecclestone é colocar Felipe Nasr no lugar de Daniel Ricciardo, promovido a companheiro de Sebastian Vettel na RBR em 2014, a chance é mínima. Pelo menos é o que lê nas declarações reproduzidas por jornais espanhóis, do chefe de equipe da Toro Rosso, Franz Tost, que excluiu o brasileiro Felipe Nasr da lista de candidatos à vaga deixada pelo australiano. Segundo Tost, três nomes estão na disputa pela vaga, entre eles, o do português António Félix da Costa, do russo Daniil Kvyat, os preferidos pelo dirigente, e o espanhol Carlos Sainz Jr., o menos experiente, que deve esperar mais algum tempo até conquistar um cockpit, talvez na própria STR.

 

“Sainz, Kvyat e Da Costa são os três candidatos ao assento. Mas também creio que falte a Carlos duas temporadas. Não creio que você deva chegar à Fórmula 1 antes dos 20 anos e nem esperar muito, porque você pode se queimar no trajeto. Carlos tem que seguir competindo em categorias menores, ganhar, crescer, e logo esperar dar o salto”, disse Tost.

 

Entre os boatos na imprensa europeia, o português António Félix da Costa é o mais cotado. Sua temporada na World Series, no entanto, é discreta. O piloto da Arden Caterham é apenas o quinto colocado. Já Daniil Kvyat é o vice-líder da GP3 correndo pela equipe MW Arden e seu companheiro, Sainz Jr., é o nono da temporada. Porém, se observados pelos resultados, por que não Nasr, quarto colocado no placar geral da GP2, com 130 pontos (contra 159 do líder Fabio Leimer), falta de vitórias em 2013? Pode ser, mas o incontestável título da F3, em 2010, então, serve para o que? Ecclestone, segundo ele próprio, quer um brasileiro na F1 e Nasr parece ser o mais capacitado.