Rosberg foi 0,007s mais rápido que Räikkonën - Foto: Mark Thompson/Getty Images

Rosberg foi 0,007s mais rápido que Räikkonën – Foto: Mark Thompson/Getty Images

Após todas as apresentações dos carros da F1 – algumas bem espartanas, diga-se, exceto as da McLaren e Ferrari – para a temporada 2013, chegou a hora de conferir, nq pista, desta vez no circuito da Catalunha, em Barcelona, Espanha, quem fez a lição de casa direitinho e quem vai continuar repetindo fiascos do ano anterior. Testes de pré-temporada, no entanto, são indicativos não conclusivos, pois, como o próprio nome diz, são testes e servem para avaliar em quais setores o carro precisa melhorar em relação as rivais. No agitado primeiro dia da segunda sessão de treinos coletivos da F1 (o quinto de 2013) em Barcelona quem andou mais rápido foi o alemão da Mercedes, que marcou 1min22s616 e bateu Kimi Räikkönen por apenas 0s007 milésimos.

 

 

 

Fernando Alonso a bordo de F138 - Foto: Sutton Images

Fernando Alonso a bordo de F138 – Foto: Sutton Images

Fernando Alonso e Sebastian Vettel apareceram em seguida terça-feira (19).   Mas o filho do ex-campeão mundial Keke Rosberg enfrentou, de novo, problemas em seu Mercedes, desta vez com o câmbio do W04. Os carros da estrela solitária de Nico e Hamilton abriu o bico com falhas elétricas e nos freios em Jerez. Ou seja, melhor que o carro apresente falhas agora que durante a temporada, minando assim as chances de seus pilotos. Mas como tudo tem um preço, Rosberg completou apenas 14 voltas pela manhã e só deixou os boxes no período da tarde, para andar forte e terminar o dia em primeiro. No total, o piloto 54 voltas. Nada mal para quem ficou de pernas para o ar dentro dos boxes, enquanto os mecânicos davam um trato na barata prateada.

 

 

Pastor Maldonado a bordo da Williams FW - Foto: Getty Images

Pastor Maldonado acelera a Williams FW35 – Foto: Getty Images

 

 

A melhor passagem de Rosberg foi cravada na meia hora final dos treinos, assim como Räikkönen e Alonso. Líder até a hora do almoço, Vettel chegou a melhorar sua marca a 40 minutos do fim do treino, mas não o suficiente para manter a ponta. O tricampeão mundial acabou 0s349 atrás de seu patrício. Quem mais somou quilometragem na pista catalã foi o bicampeão mundial, vice na temporada passada, Fernando Alonso, que debutou ao volante da F138, o espanhol foi quem somou mais quilometragem ao completar 110 voltas, bem mais que as 86 do venezuelano Pastor Maldonado, com a Williams FW35, e que as 82 do escocês Paul di Resta, da Force India. Maldonado, o vencedor do GP da Espanha do ano passado, no mesmo circuito da Catalunha, foi bem mais lento que os quatro mais rápidos do dia. Com um tempo de 1min23s733, ele ficou a mais de 1s do líder Rosberg.

 

 

Jenson Button é o cara que Pérez terá como oponente direto - Foto: Paul Gilham/Getty Images)

Jenson Button é o cara que Pérez terá como oponente direto – Foto: Paul Gilham/Getty Images

Daniel Ricciardo, da Toro Rosso, foi o sexto, à frente da promessa mexicana Sergio “Checo” Pérez, da McLaren, este último, apesar do entusiasmo quase contagiante, ainda não tomou pé que está em time grande, de ponta mesmo, e terminou o dia exatamente como no primeiro treino de pré-temporada. Pérez sabe que vai guiar um canhão com boas chances de liderar o certame – Jenson Button mostrou isso –, mas precisa de quilometragem e adaptação já que trocou a média Sauber pela super bem estruturada cinquentona McLaren. O mexicano é bom de braço e promete, mas se quiser fazer bonito terá, necessariamente, de enfrentar seu principal concorrente dentro da equipe, o campeão mundial Jenson Button. Ficar 2s atrás do ponteiro, no entanto, não quer dizer que ele vá pipocar no campeonato, mas que acende a luz amarela no time, isso acende. Outro mexicano do grid, Esteban Gutiérrez, da Sauber, foi o nono colocado, seguido pelo inglês Max Chilton, da Marussia, e o francês Charles Pic, da Caterham.

 

 

Räikkonën promete com a Lotus E21 - Foto: Getty Images

Räikkonën promete com a Lotus E21 – Foto: Getty Images

Pelo que as equipes apresentaram até agora dá para dizer que quem manteve a feiura do carro do ano passado pode incomodar os favoritos e mais bem produzidos – sem aquele pavoroso bico de ornitorrinco, agora escondido pelo painel da vaidade –, como Kimi Räikkönen. O próprio finlandês afirmou que o E21, com nariz feio, é bom de tocada, está no chão, é empurrado pelo vencedor motor Renault. Vai dar trabalho a Red Bull, Ferrari e McLaren, pode escrever.

 

 

 

 

Sebastian Vettel, então novato, deu show e venceu em Monza com STR. Sob tempestade! Foto: ark McArdle

Sebastian Vettel, então novato, deu show e venceu em Monza com STR. Sob tempestade! Foto: Mark McArdle

Sem a extinta HRT – graças a Deus –, as coadjuvantes Marussia e Caterham vão disputar entre si quem comporá a última fila do grid com tempos próximos, algumas vezes acima, dos da GP2. Na F1 não existe mágica. Ponto. Os dois times nanicos começaram os primeiros treinos levando mais de 4s em relação aos mais rápidos. Sem dinheiro, nada de desenvolvimento. O caso da Marussia é crítico. Os carros serão empurrados por motores Cosworth, da empresa britânica que sumiu do mapa, em 2012, com sérios problemas financeiros. Ou seja, o que era ruim tende a piorar ainda mais. Já Caterham vai de Renault, mas o pacote parece não ser nada melhor que o do ano passado. Deram um tapa na barata e só. Sem querer sem chato nem ufanista, a Caterham mantém o jeitão da Virgin, que provocou o ocaso do brasileiro Lucas di Grassi na categoria.

 

Como a principal categoria do automobilismo mundial virou F1 Rent-a-Car, os locadores de veículos de luxo não têm muito que reclamar das locadoras. Vão sentar e acelerar carros meia boca, sem desenvolvimento ao longo da temporada e, diferentemente de Sebastian Vettel, que venceu de forma espetacular e pontual o GP de Monza, em 2009, com STR, os pagantes tudo que têm a fazer é completar o grid milionário. Não há talento, pagante ou não, que possa aparecer na atual F1, uma ilha de prosperidade, onde equipes falimentares alugam vagas mediante pagamento de fortunas.

 

 

Caterham CT03, bicuda e sob suspeita - Sutton Images

Caterham CT03, bicuda e sob suspeita – Sutton Images

Puxão de orelha – As polêmicas lâminas que Williams e Caterham introduziram no bocal de seus escapamentos, contestadas por outras equipes do grid, foram consideradas ilegais pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo). A entidade não se pronunciou oficialmente sobre o assunto e sim a Williams, que lançou o FW35 (dia 20), antes da abertura dos testes desta semana, em Barcelona, e já foi avisada sobre a posição da federação a respeito do assunto. A reclamação partiu da Lotus.   A reclamente aponta os dois pedaços de carenagem incluídos acima de cada bocal, separados apenas por uma pequena fresta, como ilegal. Na visão do diretor técnico da escuderia, Mike Coughlan, era esse pequeno vão que garantia a unicidade da abertura do escape, deixando os elementos em conformidade com as regras. Já os anglo-malaios incluíram uma lâmina dentro do próprio bocal, algo apontado, logo de cara, como irregular pelo diretor da Lotus, James Allison.

 

 

Caterham CT03 usa lâmina divisora no escapamento irregular, segundo a Lotus Foto: Divulgação

Caterham CT03 usa lâmina divisora no escapamento irregular, segundo a Lotus Foto: Divulgação

De acordo com o artigo 5.8.4 do regulamento técnico, a saída do escapamento de todos os carros deve estar localizada em um ponto de carenagem “cortada”. O corte deve ter o formato de meio cone, com angulação em 3° e maior diâmetro na linha central das rodas traseiras. Nesse espaço, nenhum pedaço de carenagem pode obstruir o cone em uma distância menor do que cinco milímetros à frente da linha central.   Na visão do chefe da Caterham, Cyril Abiteboul, o modelo está de acordo com as especificações exigidas pela FIA. “Meu entendimento é que está dentro do regulamento. Testamos isso no ano passado e ninguém fez qualquer observação a respeito. Ficamos lisonjeados por James Allison prestar atenção no que acontece com nossos escapamentos. Há diferentes maneiras de se olhar para isso e, com certeza, o pedaço da carenagem está fora da área do cone”, defendeu.

 

 

Williams FW35 e o escape da discórdia - Foto: Divulgação

Williams FW35 e o escape da discórdia – Foto: Divulgação

Segundo a revista britânica Autosport, a federação encara ambos os casos como tentativas de estabelecer ganho aerodinâmico a partir do escapamento, algo proibido. A instituição estipula que os gases gerados pela combustão só podem agir numa hipotética melhora do desempenho do carro de forma incidental, ou seja, sem interferência proposital dos engenheiros.

 

F1, pré-temporada, Barcelona, dia 1, final:  

1º – Nico Rosberg (Mercedes) – 1:22.616  

2º – Kimi Räikkonën (Lotus)     – 1:22.672  

3º – Fernando Alonso (Ferrari) –1:22.952  

4º – Sebastian Vettel (RBR) – 1:22.965  

5º – Pastor Maldonado (Williams) – 1:23.733  

6º – Daniel Ricciardo (STR) – 1:23.884  

7º – Sergio Pérez (McLaren) – 1:24.124  

8º – Paul di Resta (Force India) – 1:24.144  

9º – Esteban Gutiérrez (Sauber) – 1:25.124

10º – Max Chilton (Marussia) – 1:26.747

11º – Charles Pic (Caterham) – 1:27.543

Fonte: FIA/FOM