(Divulgação)

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“Há uma série de iniciativas que terão impacto nos investimentos do setor nos próximos anos, com obrigações de eficiência energética, evoluções no Proconve, Etiquetagem Veicular e programas de discussões na parte de renovação de frota que trazem para a indústria automotiva muitos desafios, sendo o principal deles como harmonizar tudo isso de forma ordenada para continuarmos evoluindo”, disse o presidente da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), Antonio Megale, durante abertura do Seminário de Emissões 2014, ocorrido na última quarta-feira (23), em São Paulo. 

 

Para Antonio Megale, harmonizar é desafio para a indústria (Reprodução)

Para Megale, harmonizar é desafio para a indústria (Reprodução)

Nesta edição, com o tema Como Harmonizar? Proconve, Pbev-Inmetro, Selo Conpet e Inovar Auto, o evento, promovido pela entidade, contou a participação de cerca de 300 pessoas, que lotaram o auditório do Milenium Centro de Convenções, em São Paulo (SP). Ao completar 30 anos em 2014, a entidade celebrou o sucesso do evento, que contou com a participação de profissionais renomados que apresentaram e debateram assuntos diversos e relevantes do segmento para o público presente. 

 

O presidente da Comissão de Energia e Meio Ambiente da Anfavea, Henry Joseph Junior, ministrou a palestra Impacto da Continuidade do Proconve sobre o Inovar-Auto.  Após ser criado pelo governo federal, o Programa de Incentivo (Inovar-Auto) elevou em 30 pontos percentuais o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que pode ser abatido e/ou até eliminado mediante algumas regras a serem cumpridas, a começar pela habilitação da empresa. “A montadora precisa cumprir um número limite de etapas fabris e na sequência assinar o termo de compromisso para atingir o mínimo de eficiência energética até outubro de 2017”, disse o Joseph Jr.  

 

“Além disso, a montadora precisa investir em Pesquisa e Desenvolvimento, Engenharia e Transferência de Tecnologia para Fornecedores, Tecnologia Industrial Básica e participar do Programa de Etiquetagem Veicular do Inmetro quando há um comprometimento de elevar o número de inscritos no programa”, completou Joseph Jr. O executivo também explicou quais são as metas de eficiência para atender ao Inovar-Auto, com médias ponderadas por meio das vendas e massas dos veículos. 

 

Em apresentação A Transição do Euro V para o Euro VI na Europa – A Visão da Autoridade Certificadora, Scott Broughton, engenheiro-chefe da Agência de Certificação de Veículos do governo do Reino Unido, exibiu um resumo das mudanças na legislação e uma visão sobre os novos itens, tais como as emissões “off-cycle” por meio de testes no veículo (PEMS) e em dinamômetro. O painel I foi encerrado com a palestra “Pbev-Inmetro, Selo Conpet – Importância do Programa de Etiquetagem Automotiva e sua Aplicabilidade”, ministrada por Alexandre Novgorodcev, responsável por Projetos no Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e Claudio Alzuguir, da Petrobras. 

 

Setor buscará eficiência energética, diz Henry Joseph Junior (Reprodução)

Setor buscará eficiência energética, diz Henry Joseph Junior (Reprodução)

“O Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (Pbev) é uma importante ferramenta de fomento à eficiência energética. Já na sétima edição, com aumento progressivo de participação, está em constante reavaliação e implementação de melhorias”, disse Novgorodcev. A importância do Selo Conpet (Programa Nacional de Racionalização do Uso dos Derivados de Petróleo e Gás Natural) foi abordada por Alzuguir. 

 

Painel II – Soluções para os diversos desafios e diferentes aplicações que serão demandadas pela indústria com as futuras normas de emissões europeias e americanas que irão incluir limites de partículas mais rigorosas para os motores a gasolina, com o aumento do número de motores de injeção direta de gasolina (GDI) foram apresentadas por Manfred Link, gerente de Desenvolvimentos de Negócios Globais da AVL, em Desafios na Redução das Emissões de Particulado e Medição para Motores a Gasolina

 

O gerente de Divisão de Engenharia de Produto da Toyota, Edson Orikassa, marcou presença durante o Seminário de Emissões debatendo o tema ORVR – Recuperação dos Vapores de Abastecimento dos Veículos, trabalho elaborado pela JAMA (Japan Automobile Manufactures Association). O executivo explicou sobre as vantagens do sistema embarcado de reconhecimento de vapores e suas três possibilidade de geração de vapores no automóvel, além dos pontos que seriam necessários para introduzir o sistema de ORVR, como válvula de reabastecimento, válvula de controle, linha de recirculação, linha de vapor e bocal de enchimento. As atividade do Painel II foram encerradas após palestra “A Importância dos Ensaios de Proficiência e um Estudo da Dispersão das Medições de CO2 Obtidas nas Correlações e sua Relação com o Inovar-Auto”, por Marcos Toledo, gestor da Unidade de Técnicas de Medição no Laboratório de Motores da Volkswagen.  

 

Controlar – Os impactos causados com a descontinuidade do Programa de Inspeção (Controlar), na cidade de São Paulo, as vantagens e os benefícios do mesmo foram debatidos e exibidos em apresentação “Avaliação do Impacto Ambiental Causado pela Interrupção do Programa de Inspeção e Manutenção de Veículos em Uso em São Paulo”, liderada por Gabriel Branco, sócio-diretor da EnvironMentality.  

 

“A suspensão do programa desperdiça os efeitos anuais conquistados e a sua volta não poderá recuperá-los”, disse Branco. Na oportunidade, o diretor ainda exemplificou ganhos obtidos durante o programa, como redução de 50% no caso do CO, 40% de HC e 30% de MP, além de ter salvado quase 600 vidas por ano só com a fumaça emitida pelos motores Diesel. “A qualidade do ar mostrou sinais claros dos benefícios ambientais advindos do programa I&M e trouxe vantagens também para a indústria, como treinamentos por parte dos prestadores de serviço, oficinas mais equipadas, além do aumento nas vendas de peças fundamentais como catalisadores e velas que só este ano tiveram redução de 70%”, concluiu Branco.  

 

Lições e Decorrências do Proconve P7, por Elcio Farah, diretor executivo da Afeevas (Associação dos Fabricantes de Equipamentos para Controle de Emissões Veiculares da América do Sul), fez uma retrospectiva da implantação do Proconve P7, registrando em especial a constatação do consumo de Arla-32 em relação ao do Diesel S-10, o que pode estar comprometendo o desempenho de motores Euro V. Assim como Farah enfatizou a necessidade de discutir já o Proconve P8, para que a sua implantação seja ainda mais eficaz do que a do P7. 

 

O painel III foi encerrado após apresentação de um trabalho desenvolvido pela Comissão de Renovação de Frota, da AEA, coordenada por Luis Chain, diretor de Marketing e Vendas da Cummins South America. Em Renovação de Frota, Chain propôs estratégias e soluções técnicas com o objetivo de modernizar a frota de veículos que circulam no país. A visão é reduzir a emissão de poluentes para melhorar a qualidade do ar e dos ruídos, assim como melhorar as condições de segurança dos veículos em uso para reduzir o número de acidentes e congestionamentos de tráfego. O Seminário de Emissões da AEA foi encerrado com Vicente Pimenta, membro do Conselho Consultivo da entidade.