Prefeito carioca Eduardo Paes pagará transferência de provas no Rio para Minas - Reprodução

Prefeitura pagará transferência de provas no Rio para Minas – Reprodução

Você, caro leitor, já deve ter ouvido a expressão “embromation” (fala-se: embromeichon e significa embromação, enrolação, passar a bola, entre outros). É bem isso que o prefeito carioca Eduardo Paes está fazendo para minimizar o efeito de desativar o Autódromo de Jacarepaguá e deixar pilotos e equipes a pé. Para piorar a situação, o fechamento do autódromo se converteu em um gasto extra para a Prefeitura do Rio de Janeiro. Isso porque, sem pista para corrida, a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer pagará R$ 1,1 milhão à Faerj (Federação de Automobilismo do Estado do Rio de Janeiro) para que a entidade promova o Campeonato Carioca de Automobilismo em Minas Gerais, uma demonstração explícita de falta de planejamento e pior, de promessa de uma nova praça de esporte que está longe de ser cumprida.

 

 

Memória do que um dia foi um autódromo - Reprodução

Memória do que um dia foi um autódromo – Reprodução

O valor foi acertado entre a federação e prefeitura ainda no início deste mês. A autorização para o pagamento já foi dada pelo secretário Municipal de Esportes e Lazer, Antônio Pedro Índio da Costa, publicada no Diário Oficial do Município. A transferência de recursos acontecerá através de um contrato de patrocínio e a Faerj receberá repasses de verbas municipais até o final deste ano. Os recursos serão destinados para pagar as despesas para organizar 12 provas, em seis finais de semana, no circuito Mega Space, em Santa Luzia, Minas Gerais, além das despesas relacionadas à transferência do Campeonato Carioca de Automobilismo para fora do Rio. Resumindo, quem arcará com a conta é o contribuinte.

 

 

Autódromo de Jacarepaguá foi lindo, imponente... Foto: Gilvan-Souza

Autódromo de Jacarepaguá foi lindo, imponente… Foto: Gilvan-Souza

Segundo a Faerj, passagens de avião e hospedagem em hotéis para pilotos, por exemplo, entram nessa fatura. A federação explicou que tudo o que os esportistas não gastariam correndo no Rio de Janeiro, mas gastarão agora correndo em Santa Luzia serão custeados com as verbas municipais, ou melhor, do contribuinte. Entretanto, apesar de amenizar a situação, o deslocamento das equipes e pilotos demanda tempo. Se houver necessidade de um acerto de última hora nos bólidos, isso será um problema extra a ser resolvido.

 

 

Virou pó! - Foto: Júlio César Guimarães-UOL

Virou pó! – Foto: Júlio César Guimarães-UOL

Promessa – O pagamento da prefeitura à Faerj foi uma promessa feita pelo prefeito Eduardo Paes à entidade quando da demolição do Autódromo de Jacarepaguá. O espaço foi desativado para ser transformado no Parque Olímpico da Rio-2016 deixando o automobilismo carioca sem um lugar para competições. Fica uma pergunta a ser respondida: será que o estado do Rio de Janeiro não tinha outro espaço para erguer o Parque Olímpico ou será que o governo municipal cedeu ao assédio da explosão imobiliária numa área, até então, considerada periferia?

 

 

A Faerj se uniu a CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo), e juntas entraram na Justiça para barrar o fechamento da pista e evitar o total desaparecimento do automobilismo carioca, alijado de Jacarepaguá. Depois de muitas discussões, as entidades cederam quando Paes assumiu o compromisso de subsidiar a transferência das corridas para Minas Gerais até que o Rio tenha um novo autódromo. Pano quente. Cortina de fumaça ou, na melhor das hipóteses, fica tudo combinado e nada acertado.

 

A Faerj informou que o valor de R$ 1,1 milhão será pago com base em um orçamento feito pela entidade dos custos para organização do Campeonato Carioca de Automobilismo. Todos os gastos serão devidamente informados à prefeitura.

 

 

O autódromo de Deodoro não saiu do papel e nem sairá - Reprodução

O autódromo de Deodoro não saiu do papel e nem sairá – Reprodução

Deodoro – O novo autódromo do Rio de Janeiro seria construído em um terreno no bairro de Deodoro, área que é hoje centro de uma polêmica, por ser um local onde funcionava um antigo centro de treinamento do Exército e já foram encontrados explosivos no local. Por isso, qualquer projeto no local está em risco neste momento. No início do mês, o secretário estadual da Casa Civil, Regis Fichtner, chegou a afirmar que o projeto da pista poderia ser levado para outro local por causa das bombas.

 

“Só faremos uma obra ali se tivermos uma garantia que não há qualquer risco. Se a questão for insolúvel, vamos ter que ir atrás de um outro lugar”, disse. O projeto original do novo autódromo prevê que ele esteja pronto em 2014. As obras, entretanto, ainda nem começaram. Como diz o ditado popular, “o papel aceita tudo”. Desta vez não foi diferente. A retirada de material explosivo não é tão fácil quanto parece. Demanda tempo e análise técnica para evitar uma tragédia. A possibilidade foi revelada pelo secretário estadual da Casa Civil, Regis Fichtner, durante entrevista coletiva.

 

De acordo com Fichtner, o governo do Rio sabe que a área escolhida para receber o novo autódromo era um antigo campo de treinamento militar. Já foi constatada a presença de explosivos no local. Antes de qualquer obra ali, o governo exige um atestado de descontaminação feito pelo Exército.

 

No ano passado, o Comando Militar do Leste se comprometeu em fazer essa descontaminação para que o governo do Rio pudesse dar andamento às obras do novo autódromo, mas o trabalho não foi concluído. Fichtner disse que, por causa disso, já está sendo discutida uma mudança no projeto do autódromo, o que já deveria ser o “plano B” de Paes. Só que essa possibilidade parece nem ter sido cogitada.

 

 

Prefeito Eduardo Paes com Cleyton Pinteiro, presidente da CBA não tinham Plano B. O automobilismo carioca e o contribuinte pagam o preço - Foto: Wagner Meier

Prefeito Eduardo Paes com Cleyton Pinteiro, presidente da CBA não tinham Plano B. O automobilismo carioca e o contribuinte pagam o preço – Foto: Wagner Meier

Cobre um santo, descobre outro – A construção de um novo autódromo no Rio é uma das promessas feitas por causa da Olimpíada de 2016. O Parque Olímpico do Rio, na Barra da Tijuca, vai ocupar a área do antigo Autódromo de Jacarepaguá. Por isso, a pista foi desativada e a cidade perdeu seu autódromo. Cá entre nós, só no Brasil autódromos são construídos e administrados pelos governos. Em outras partes do mundo, o governo até pode participar da construção de pistas, mas as mesmas são de propriedade da iniciativa privada. Vide o centenário Indianapolis Motor Raceway, nos Estados Unidos, administrada pelo empresário Tony George, e o Velo Cittá, erguido por Eduardo Souza Ramos (SP), em Mogi Mirim, por exemplo.

 

 

Se sair, Deodoro corre o risco de reeditar Corrida Mortal. Só que ao vivo - Imagem: Universal Pictures

Se sair, Deodoro corre o risco de reeditar Corrida Mortal. Só que ao vivo – Imagem: Universal Pictures

Para que o automobilismo carioca não ficasse a ver navios, prefeitura, governo do estado e governo federal se envolveram no projeto da construção de uma nova pista. O governo federal cedeu um terreno do Exército para a pista. O governo estadual assumiu a responsabilidade de construí-la. Ao que tudo indica, o que o Planalto ofereceu foi um presente de grego. Tudo bem que a moçada do automobilismo acelera onde for, mas em cima de terreno minado vira algo Corrida Mortal (Death Race, um filme norte-americano de 2008 dirigido por Paul W.S. Anderson, na Universal Pictures), no qual os presídios passam a ser controlados por grandes corporações que exploram transmissões em pay-per-view de um evento chamado Corrida Mortal, um tipo de corrida de carros onde vale todo o tipo de trapaça e as máquinas são equipadas com armas pesadas e os pilotos lutam para vencer a corrida e manterem-se vivos.

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