Pilota afiliada, Simona de Silvestro (e) e Monisha Kaltenborn - Reprodução

Pilota afiliada, Simona de Silvestro (e) e Monisha Kaltenborn – Reprodução

A Sauber anunciou sexta-feira (14) Simona de Silvestro como “pilota afiliada” do time. A suíça de 25 anos vai participar de um programa de desenvolvimento com a meta de conquistar a superlicença e se preparar para ocupar uma vaga em 2015. A pilota suíça competiu na Indy nos últimos quatro anos pela KV e fechou a temporada 2013 na 13ª posição no placar final do campeonato. Simona foi, também, a primeira mulher a conquistar um pódio em uma prova de rua na Indy ao completar a etapa de Houston do ano passado no segundo lugar, em 2013. Agora, ela começará sua preparação para a F1 com testes em pista e no simulador, bem como a preparação mental e física.

 

“Este é um grande passo para que eu conquiste um sonho de toda vida e estou muito feliz por ter a oportunidade de dar este passo com um time tão bom. A Sauber é uma equipe com um legado e a única escuderia suíça da F1, o que torna isso ainda mais animador”, disse a suíça. “Não posso agradecer Monisha Kaltenborn e Peter Sauber o bastante pelo apoio deles e pela confiança em minhas habilidades, e por me darem esta chance. Estou muito feliz por ter esta plataforma extremamente única para me preparar para este desafio”, concluiu. O apoio tem base.

 

Kaltenborn, primeira mulher a chefiar uma equipe de F1 – no caso, a Sauber –, afirmou que Simona tem talento e habilidade para ocupar um pilotar um cockpit da equipe no futuro. “Depois de quatro anos na Indy, a ambição da Simona é entrar na F1 em 2015. Nós a vemos como uma pilota muito talentosa e, por isso, nós decidimos trazê-la para o time como “pilota afiliada” e apoiá-la em sua caminhada rumo ao topo do esporte a motor”, comentou a dirigente.

 

Segunda posição em Houston - Bob Levey/Getty Images/AFP

Segunda colocada em Houston – Bob Levey/Getty Images/AFP

Dificuldades – Acostumada ao automobilismo estadosunidense, a pilota suíça encontrará muitas dificuldades de adaptação para enfrentar o desafio da F1. Isto porque são formatos de competição completamente diferentes. Eu não estou afirmando que ela não tenha talento, que não seja rápida e muito menos que será um fracasso na principal categoria do automobilismo mundial, e sim terá de estar devidamente preparada para, por exemplo, acertar o carro ao seu estilo de pilotagem, extrair do bólido muitas vezes o que ele não tem e tirar aquele pelinho de milésimo de segundo no braço. Simona tem estilo de pilotagem agressiva e não tem medo de disputar freadas com ninguém.

 

Tive o privilégio de conversar com Simona durante a São Paulo Indy 300, disputada no alagado Circuito do Anhembi, em 2011, e descobri que por detrás daquela moçona (sem nenhum demérito ou insinuação, por favor) reside uma pilota combativa capaz de botar na poeira muitos marmanjos. Ela de fato é rápida, muito rápida, e é praticamente certo que mesmo na condição de afiliada conseguirá a superlicença para pilotar um F1. Já alinhar, largar e conquistar resultados é outra estória.

 

Diferentemente da F-Indy, categoria marcada pela igualdade, a F1 é um universo peculiar no qual talento e habilidade são trocados por dinheiro para alugar um carro. O ambiente é inóspito. Enquanto na Indy pilotos e equipes são hospitaleiros, na F1 piloto com cara amarrada e informações desencontradas é praxe. Conta a seu favor o fato de ser da mesma nacionalidade da equipe, mas ao mesmo tempo, sabe-se que a Sauber, apesar de ter revelado vários nomes, está com sérios problemas de caixa. A imprensa internacional chegou a cogitar a venda do time, notícias que, mais tarde, foi desmentida. Mas dizer que a Sauber trabalha com saldo positivo também é mentira. Aliás, o grid da F1 anda bem mal das pernas, diga-se.

 

Giovanna Amati - Reprodução

Giovanna Amati – Reprodução

Se conseguir a superlicença e uma vaga no grid, Simona vai encerrar um período de vacas magras de duas décadas sem mulheres na Fórmula 1. A última a disputar uma corrida foi a italiana Giovanna Amati, que defendeu a Brabham em 1992, sem sucesso, antes de ser substituída por Damon Hill. A espanhola Maria de Villota esteve próxima, mas, lamentavelmente, não chegou a alinhar. Ela sofreu um acidente durante testes de aerodinâmica no qual perdeu a visão e meses mais tarde a vida.