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O casal Robson Lunardi e Isabel Albornoz promete para novembro de 2017 a inauguração de sua casa de 29m2, que será a primeira tiny house (casinha, em livre tradução) regulamentada sobre rodas do Brasil. Já em construção, ela será feita com estrutura de steel frame e madeira e eles buscarão sua validação junto ao Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e ao Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), para que sirva como projeto piloto a interessados em construir uma semelhante. O modelo escolhido foi o de uma casa móvel justamente para que possa ser levada para qualquer lugar, e facilitar o acesso a mais pessoas. O interior foi projetado por eles, com acompanhamento de engenheiros e arquitetos. O (i)móvel terá um banheiro, espaço para a cozinha e sala e, na parte superior, os quartos do casal e do filho. “Planejar uma tiny house exige aproveitar cada pedacinho de forma inteligente”, explicam.

 

Ainda que ela ofereça a mobilidade já existente em trailers e motorhomes, tem um diferencial importante: suas janelas e paredes são mais grossas e os isolamentos acústicos e térmicos são iguais ao de uma casa convencional. Semelhante aos veículos, a casinha também precisará de um ponto de energia elétrica e água, sendo a ligação com o esgoto opcional. Eles escolheram usar energia solar on-grid (que pode ser usada no sistema e ainda contribuir com crédito para a concessionária local), uma privada seca com sistema de compostagem, além de uma caixa para a água cinza, oriunda da pia e do chuveiro, tratada e pronta para regar as plantas.

 

Mínimo espaço – Depois de se cansar da vida consumista e estressante que vivia em São Paulo, o casal resolveu mudar de vida, adotou práticas minimalistas de consumo e escolheu trocar uma casa de 150 m2 por uma tiny house – que não pode ter mais do que 42 m2. A família viajou para os Estados Unidos para conhecer e estudar sobre o processo de sua construção e se hospedou em duas delas, por três dias e três noites em cada uma, para avaliar a adaptação. “Em Tampa, ficamos em uma mais moderna, que ficava no quintal de outra casa e era muito aconchegante. A outra, em Orlando, ficava em uma comunidade de tiny houses e trailers, era mais rústica e menor, o que nos levou a passar mais tempo fora. Com a tiny house, você aprender a ter mais conexão com a natureza, o ambiente e as pessoas”, afirma Isabel. “Queremos fazer uma reflexão da responsabilidade social que temos ao consumir tanto, o que não é nem ético, nem saudável”, completa Robson.

 

Criadas no fim da década de 1990, nos Estados Unidos, as pequenas casas surgiram como uma alternativa para a redução de custos com moradia – aluguel, manutenção e impostos. Na então crise norte-americana, acabaram se popularizando.

 

Pés Descalços – Robson e Isabel criaram o movimento Pés Descalços, e por ele querem disseminar pelo Brasil não apenas as tiny houses, mas também o conceito de vida mais saudável, significante e sustentável, por meio do consumo do essencial e da alimentação consciente.

 

Assim, o Pés Descalços é um portal para quem busca eliminar excessos da vida e se inspirar em histórias e experiências de pessoas que decidiram buscar uma vida mais simples e significativa. Todas as matérias e conteúdos são frutos de estudos, pesquisas e vivências próprias, de pessoas ao seu redor, e daqueles que os inspiram. “A expressão pés descalços representa respeito, simplicidade e contato com a natureza, e está totalmente alinhada aos nossos valores – minimalismo, equilíbrio, família e gentileza”, resume Isabel.

O projeto pode ser acessado neste endereço.