DTTC e MBGC são campeonatos monomarcas e sem graça. Já no ressuscitado Campeonato de Marcas haverá confronto direto entre montadoras. E por que não todas juntas e misturadas? O público gosta e o consumidor merece

O Campeonato Alemão de Carros de Turismo (DTM, sigla em alemão de Deutsche Tourenwagen Meisterschaft) é uma categoria das mais interessantes do automobilismo e também a mais mutante, já que adequa ano após ano a realidade, tornando-se ainda mais chamativa. Nem com a saída de nomes de peso, rumo à Fórmula 1, fizeram com que a categoria perdesse a essência do melhor, as disputas acirradas  travadas nas pistas e autódromos lotados. O automobilismo brasileiro poderia experimentar algo similar, mas não, as importadoras germânicas preferiram o isolamento ao confronto direto.

A Mercedes Benz com o MBGC (Mercedes Benz Grand Challenge) e a Audi com seu DTCC (Driver Touring Car Cup) correrão separadamente. A Mercedes dê olho no público jovem e com grana para comprar sua recém lançada Classe C 180 e a Audi o A1. A contrapartida, se é que se pode chamar assim, é a relançamento do Campeonato Brasileiro de Marcas, onde o confronto se dará entre Toyota, Honda, Chevrolet, competindo, respectivamente, com Corolla, Civic e Astra, porém, preparados aos moldes e padronização do TC 2000 argentino, uma espécie de Stock Car portenha.

No vácuo – É evidente que ambas as importadoras pegaram no sucesso do DTM. Em cerca de 15 dias, as duas novas categorias brasileiras foram anunciadas. Coincidentemente, ou não, essas são as únicas duas montadoras participantes do DTM, pelo menos até o ano passado. A BMW se juntará ao campeonato – que também pode atrair a Opel – e que ainda passará por uma equalização com o SuperGT japonês e a GrandAM americana para que os certames possam fazer provas, ainda que de exibição, em conjunto. No passado, Alfa Romeo 155 V6 TI DTM, Volvo 850 DTM, entre outros, disputaram o campeonato em solo europeu.

Só que ao contrário do que acontece na Alemanha, aqui no Brasil as duas fabricantes participarão de campeonatos diferentes, exclusivos e monomarcas. Outra diferença é que, ao invés de pilotos já conhecidos – com até gente ex-F1 – que o DTM atrai, esses dois torneios são destinados aos gentleman drivers. Um  nome bonito que designa empresários dispostos a gastar as fortunas para passar um dia no autódromo se sentindo um verdadeiro piloto.

Separadas, essas duas categorias são extremamente enfadonhas e funcionarão apenas como ferramenta de marketing. Tirando a Porsche Cup, que consegue fisgar alguns bons nomes, esses campeonatos monomarca não têm apelo nenhum ao público, para isso é relembrar os casos do finado Trofeo Maserati e do Mini Challenge, que correm sem ninguém nas arquibancadas dos autódromos.

Sabendo disso, aliás, o campeonato da Mercedes vai servir justamente como preliminar do GT Brasil. O torneio da Audi, nem isso. Ele passará em uma emissora de tv a cabo e – inacreditável! – com portões fechados nos autódromos. Sobre esse posicionamento da montadora das quatro argolas, abrem-se duas hipóteses. A estratégia de marketing da Audi é tornar a marca ainda mais exclusiva e propagá-la ao público que interessa, os respectivos gentleman drivers e os amigos VIPs, além daqueles que têm tv fechada – muitos -, mas que vão perder algumas horas da vida para ver os endinheirados correndo em uma pista – poucos.

Só que essa hipótese sobre a Audi é meio furada. Eles optaram por usar na competição o modelo A3 que não é mais produzido no Brasil e nem é tão caro assim. Pelo menos se comparado aos demais carros da marca. No DTM, por exemplo, eles usam o A4. Aí fica difícil saber qual é o objetivo dessa nova categoria. Fazer girar o estoque de peças de reposição? Talvez.

Por outro lado, se Mercedes e Audi se juntassem por aqui, claro que não construiriam um DTM, mas algo mais interessante surgiria. A disputa entre marcas dentro da pista poderia refletir fora dela, talvez até nas vendas. Fora que um duelo entre montadoras é muito mais interessante que brigas entre empresários endinheirados.

Outra justificativa seria o número de competidores. O Mercedes-Benz Grand Challenge promete um grid de 22 participantes, enquanto a Audi espera contar com 16. Isso são 38 carros, mais que o dobro do DTM! Separados vão ficar naquele 15 a 20 máquinas como em qualquer outro certame sem apelo.