Bottas experimentou o gosto da vitória pela primeira vez. Merecidamente - Sutton Images

Bottas experimentou o gosto da vitória pela primeira vez. Merecidamente – Sutton Images

 

Quatro corridas, três vencedores, e desta vez, na Rússia, no Circuito de Sochi, quem experimentou pela primeira vez o gosto da glória foi o finlandês da Mercedes Valtteri Bottas seguido dos ferraristas Sebastian Vettel e Kimi Räikkönen. Debutante no degrau mais alto do pódio fez por merecer. Bottas fez uma excelente largada, dominou a corrida e a venceu de ponta a ponta, enquanto seu companheiro de time, o tricampeão mundial Lewis Hamilton, com problemas técnicos, terminou na quarta posição e viu a gordura que o separa do alemão, líder na tabela de pontos, crescer. Já entre os Construtores, a Ferrari tem apenas um ponto de vantagem sobre a Mercedes e que tudo indica, a disputa dos títulos da temporada – Pilotos e Construtores – ficará restrita entre as estratégias de boxes delas.

 

Bottas pela primeira vez no degrau mais alto do pódio - Sutton Images

Bottas pela primeira vez no degrau mais alto do pódio – Sutton Images

 

Mas cá entre nós, numa breve comparação entre a Fórmula 1 com a MotoGP, as corridas sobre duas rodas está dando uma lavada naquela que um dia foi considerada a principal categoria do esporte a motor. Por mais torcedor emotivo que seja assistir os grandes prêmios dos bólidos mais refinados está cada vez mais um porre. O motivo é bem evidente. Enquanto no Mundial de Motovelocidade as disputas acontecem na pista, ombro a ombro, saboneteiras riscando o chão, na Fórmula 1 fica todo mundo voltado para as estratégias de boxes. Fica a pergunta com gosto amargo de fel: Isso é corrida ou disputa de quem escolhe o pneu certo e faz a troca na hora correta? Pegas na pista estão cada vez mais raros, e isso provoca desinteresse no torcedor, isto é, se ele ainda levanta cedo para ver o corso.

 

Com bem lembrou meu colega-parceiro Eduardo Abbas em sua coluna no site BorrachaTV On Line, É rir para não chorar, o regulamento técnico fez com que os carros ficassem mais rápidos de curva do que de reta, sem ronco ensurdecer, e fora toda parafernália aerodinâmica – que pouco ou nada contribuem para a indústria automobilística – tornam as corridas da outrora categoria-mãe do esporte a motor, a mais almejada de todas, um exercício de falsidade, de enganação mesmo. Se o que interessa é o espetáculo, lamento, os grandes prêmios estão cada vez mais sórdidos. Do tipo que você assiste por assistir e é digno de crítica nada positiva.

 

Para piorar, a Toda Poderosa” Mercedes nas últimas temporadas ressuscitou as ordens de garagem, e foi encarada pelo tricampeão mundial Lewis Hamilton como normal. Então, espera aí, quem decide quem deve vencer são engenheiros, jogando por terra o esforço do piloto? Caso a prática algo So, Felipe, Fernando is so fast than you. Do you understand the message? (Então, Felipe, Fernando é mais rápido que você. Você entendeu a mensagem?, em português), ordem de Rob Smedley, via rádio, da Ferrari a Massa para ceder posição para Alonso (reveja no vídeo abaixo – Crédito: Diego Ribeiro) ou a de Jean Todt a Barrichello no vergonhoso GP da Hungria, em 2002. Menos, por favor.

 

 

 

Incidente entre Jolyon Palmer, da Renault, e Romain Grosjean, da Haas, determinou fim de corrida para ambos - Sutton Images

Incidente entre Jolyon Palmer, da Renault, e Romain Grosjean, da Haas – Sutton Images

 

Dos novatos, nem mesmo o menino-prodígio “inconsequente e boca aberta” Max Verstappen, da Red Bull, consegue repetir boas apresentações com ultrapassagens arrojadas quase improváveis, enquanto os demais imberbes paitrocinados e inexperientes fazem, digamos, a parte comédia do show com pancadas pastelões e imperícia no volante.

 

A sorte parece ter abandonado o bicampeão mundial Fernando Alonso, que em Sochi sequer conseguiu largar - Sutton Images

A sorte parece ter abandonado Fernando Alonso, que em Sochi sequer conseguiu largar – Sutton Images

 

Ver um bicampeão mundial, como Fernando Alonso, considerado o mais completo piloto em atividade, com o que concordo, abandonar etapas por não ter nas mãos um carro, mas sim uma carroça. Para alguns pode parecer engraçado. Não, não é, e demonstra sim, que já passou da hora de se resgatar o sentido original das corridas de carros e deixar de lado o espetáculo. Esse quem protagoniza são os pilotos não engenheiros. Genioso, o espanhol foi convidado a participar da Indy 500, onde a Honda, parceira e fornecedora da McLaren anda bem e, talvez, servir de cala boca. Alonso, dono de um ego do tamanho do mundo, óbvio, aceitou o desafio e também quer correr nas 24 Horas de Le Mans e, assim, tentar a tríplice coroa.

 

Ainda sobre Alonso, especula-se que ele pode retornar à Renault e tentar encerrar a carreira no time que lhe conferiu dois títulos na Fórmula 1. O mesmo se fala sobre o ex-aposentado Felipe Massa, que, caso consiga uma vaga numa equipe de montadora pode estender sua permanência na categoria por mais algum tempo.

 

A Fórmula se reúne novamente dia 14, em Barcelona, para a disputa do GP da Espanha.

 

Confira abaixo como está o Mundial de Pilotos:

 

Crédito: formula1.com

Crédito: formula1.com

 

Confira abaixo como está o Mundial de Construtores:

 

Crédito: formula1.com

Crédito: formula1.com